A Justiça argentina acusou o ex-funcionário do presidente Javier Milei que dirigia a agência de atendimento a pessoas com deficiência e outras 18 pessoas de terem cobrado propinas e desviado recursos do órgão, segundo documentos judiciais publicados nesta segunda-feira (9).
A Agência Nacional de Deficiência (Andis) foi dissolvida em dezembro após denúncias de corrupção que atingiram a irmã do presidente, Karina Milei.
“Ficou comprovada a existência de uma organização criminosa integrada por funcionários públicos dentro da Andis e atores privados do setor de saúde”, indicou a decisão, acrescentando que “tal organização se dedicou a desviar recursos públicos por meio de compras direcionadas e superfaturamento”.
O caso veio à tona em agosto após a divulgação de áudios atribuídos a Spagnuolo, nos quais ele afirmava que Karina Milei, secretária-geral da Presidência, recebia 3% do valor pago pela agência na compra de medicamentos.
Spagnuolo renunciou ao cargo dias depois. O presidente afirmou inicialmente que ele mentia nos áudios, embora depois Spagnuolo tenha alegado à Justiça que os áudios foram manipulados. Ainda assim, o Ministério Público manteve a acusação com base em outras provas.
Os áudios não foram usados como prova pelo promotor nem pelo juiz e não são mencionados na decisão, que se baseia em documentação reunida em buscas e apreensões e em depoimentos colhidos em interrogatórios.
Karina Milei não está entre os acusados. No entanto, para o juiz, as provas sugerem que o mecanismo de corrupção na Andis “não se tratou de algo isolado” e “pode ter outro nível de cumplicidades” que precisa ser investigado.
“O governo nacional, e em particular aqueles que têm responsabilidade política sobre a área, devem dar explicações urgentes”, acrescentou Dalbón, que é um dos advogados da líder opositora e ex-presidente Cristina Kirchner (2007–2015) em outros processos.
O governo dissolveu a Andis em dezembro e delegou as funções de assistência do órgão ao Ministério da Saúde.
Desde que Milei assumiu, em dezembro de 2023, a Andis esteve sob uma auditoria que permitiu detectar dezenas de milhares de beneficiários irregulares.
O processo provocou interrupções nos serviços e reclamações de beneficiários, que protagonizaram numerosas manifestações de rua exigindo mais recursos para a entidade em meio a um severo ajuste orçamentário.








