Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam um avanço histórico na confiança na educação pública brasileira. De acordo com o estudo, o índice de satisfação subiu 15 pontos percentuais, passando de 30% em 2022 para 45% em 2025. O Brasil se destaca como o país da América Latina com a melhoria mais significativa nessa área.
Os resultados foram apresentados na segunda-feira, 9 de fevereiro, durante o evento online “Confiança em foco: o Brasil no panorama da OCDE”, promovido pela Controladoria-Geral da União (CGU) e transmitido pelo canal da entidade no YouTube. A pesquisa, baseada em entrevistas com 2 mil cidadãos de diversas classes e regiões, identifica a melhoria na prestação de serviços públicos e a justiça social como os principais fatores para o aumento da confiança.
Além da educação, a percepção geral sobre os serviços públicos melhorou de forma expressiva. A confiança nesses serviços praticamente dobrou, de 24% em 2022 para 42% em 2025. O nível de confiança no governo federal também cresceu, de 26% para 38%, superando a média da América Latina e Caribe, de 35%. O Brasil agora possui um dos maiores índices de confiança na região, atrás apenas de México, Equador e República Dominicana. Em termos de equidade, 48% dos cidadãos acreditam que pedidos de benefícios públicos são tratados de forma igualitária, um aumento de 15 pontos em relação a 2022.
O Ministério da Educação (MEC) atribui esses ganhos a uma série de políticas implementadas nos últimos anos. Na educação básica, o programa Pé-de-Meia beneficia quase 6 milhões de estudantes vulneráveis com R$ 200 mensais, R$ 1.000 anuais por conclusão de etapa e R$ 200 extras para o Enem, reduzindo o abandono escolar pela metade e diminuindo o atraso escolar. O programa Escola em Tempo Integral registrou mais de 1,8 milhão de novas matrículas entre 2023 e 2025, elevando o percentual de alunos em tempo integral de 18% em 2022 para 23% em 2024, alcançando a meta de 25% do Plano Nacional de Educação (PNE).
Outras iniciativas incluem reajustes no orçamento da alimentação escolar, totalizando 55% de aumento até 2026, e a distribuição de mais de 240 milhões de livros pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) dobrou o índice de alfabetização para 59,2% em 2024, com investimento de R$ 1,44 bilhão desde 2023. Em 2025, foi lançado o Compromisso Nacional Toda Matemática para alinhar competências à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
A Estratégia Nacional Escolas Conectadas elevou a conectividade adequada para 70% das escolas públicas, beneficiando 24 milhões de estudantes. Pela primeira vez, a educação básica integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), com entregas de mais de 2.250 unidades escolares desde 2023 e 6 mil obras em andamento.
Para o magistério, o programa Mais Professores para o Brasil, com R$ 1,68 bilhão até 2026, inclui a Prova Nacional Docente (PND), com mais de 1 milhão de inscritos em 2025, Pé-de-Meia Licenciaturas para 7 mil bolsistas e benefícios como vale-computador de R$ 3 mil. Em 2026, professores tiveram ganho real no piso salarial e acesso à Carteira Nacional Docente.
Na educação profissional e tecnológica (EPT), a Política Nacional de Educação Profissional e Tecnológica (PNEPT) e o Pronatec aumentaram as matrículas de 3,9 milhões em 2022 para 4,5 milhões em 2024. O Novo PAC investe R$ 3,9 bilhões em 111 novos institutos federais, gerando 142 mil vagas. O Juros por Educação visa criar 3,3 milhões de novas vagas via renegociação de dívidas estaduais. A Capes oferece pós-graduações em EPT com 24,7 mil vagas e R$ 66,7 milhões.
Na educação superior, a rede federal expandiu com 11 novos campi, 45 hospitais universitários e R$ 5,5 bilhões do Novo PAC, prevendo 47 em operação até 2026. Projetos de lei para criar a Universidade Federal Indígena (Unind) e a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte) foram enviados ao Congresso em novembro de 2025, elevando para 71 universidades federais. Dez novos campi foram credenciados em 2025, oferecendo 28 cursos.
O Enem 2025 teve mais de 4,8 milhões de inscritos e retomou a certificação para 98 mil pessoas, com estudos para aplicação no Mercosul a partir de 2026. O Sisu 2026 oferece vagas recordes em áreas STEM, o Prouni mais de 590 mil bolsas e o Fies 112 mil vagas. Avanços incluem o novo campus do ITA no Ceará e o ImpaTech no Rio de Janeiro e Nordeste, com investimentos totais de R$ 51 milhões e R$ 17,9 milhões.
A assistência estudantil cresceu para R$ 1,32 bilhão em 2025, com 17,3 mil bolsas do Programa de Bolsa Permanência para indígenas e quilombolas. Mais de 2,5 mil cargos foram redistribuídos para universidades federais.
Na pós-graduação, R$ 6,59 bilhões foram destinados desde 2023, com reajuste de 40% nas bolsas e retomada do Programa Pró-Equipamentos (R$ 139,3 milhões em 2025). Programas como Move La America e Montevidéu fomentam cooperação regional.
Para equidade, a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP) apoia 384 cursinhos com R$ 49,8 milhões, beneficiando 12,5 mil estudantes. O PartiuIF atendeu 26 mil alunos com R$ 115,8 milhões. A Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (Pneei) investiu R$ 638 milhões em salas multifuncionais. A Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Quilombola (Pneerq) formou 262 mil profissionais, com R$ 2 bilhões até 2027. O Pacto EJA beneficiou 200 mil em alfabetização, com R$ 4 bilhões previstos até 2027.








