O Programa Cisternas, priorizado pelo Governo do Brasil desde 2023, entregou 104,3 mil cisternas até o final de 2025, representando um crescimento de 630% em relação a 2022, quando foram construídas 6,7 mil unidades. Desse total, 88,6% das estruturas estão localizadas nos nove estados do Nordeste, com 43 mil entregas apenas em 2025 nessa região.
Estados como Pernambuco registraram avanços expressivos, passando de 15 cisternas finalizadas em 2022 para 4,4 mil em 2025, um aumento de 29.000%. No Rio Grande do Norte, o número subiu de 218 para 2.300 unidades (955%); na Bahia, de 870 para 9.000 (934%); e no Maranhão, de 19 para 701 (3.500%).
A agricultora Iolanda Santos, da comunidade Paiol em Parnarama (MA), relata os benefícios no dia a dia: “Antes, a gente plantava uma quantidade pequena, só para consumo. Hoje, a gente consegue plantar uma quantidade maior para consumir e vender. Isso gera renda para a nossa família”. No município, foram entregues 238 cisternas, sendo 124 entre 2024 e 2025.
Um estudo do Instituto de Economia do Trabalho (IZA) indica que, em áreas com expansão do programa, 30% dos beneficiários do Bolsa Família deixaram de depender da transferência de renda. Além disso, houve aumento de 12% nos empregos formais e 20% na renda do trabalho. Na saúde, as internações hospitalares por doenças relacionadas à água caíram 16% entre adultos e 37% entre crianças.
O coordenador do programa no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Vitor Santana, destaca os impactos: “O programa tem impactos significativos e diversos, como a redução na incidência de doenças de veiculação hídrica, da mortalidade infantil, o aumento e diversificação da produção agroalimentar, por dinamizar a economia local e gerar renda às famílias beneficiárias”.
Criado em 2003, o Programa Cisternas utiliza tecnologias sociais de baixo custo, com participação comunitária na construção, gerando empregos locais. O público-alvo inclui famílias rurais com renda per capita de até meio salário mínimo, inscritas no Cadastro Único, e equipamentos públicos rurais afetados por seca ou falta de água.
Pela secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Lilian Rahal, a colaboração com a sociedade civil é essencial: “O Programa Cisternas é um exemplo disso. Ele foi uma mudança de paradigma no enfrentamento à seca e na convivência com o Semiárido”.
No âmbito do Novo PAC, foram contratadas mais de 189 mil unidades na atual gestão, com meta de 219 mil, contemplando 1.037 municípios em 19 estados por meio de 30 parcerias que somam R$ 1,7 bilhão. Desde 2003, o programa totaliza 1,34 milhão de unidades entregues.
As cisternas de 16 mil litros destinam-se ao consumo humano, para beber, cozinhar e higiene. Já as de 52 mil litros viabilizam a produção de alimentos e suprimento de animais. Existem vertentes para escolas públicas rurais e sistemas multiuso comunitários.
Na Ilha de Marajó (PA), 260 cisternas em Salvaterra melhoraram o ambiente escolar, garantindo água para higiene, limpeza e hortas mesmo sem energia elétrica. A merendeira Siane Cristina Lopes, capacitada para o uso, explica: “Essa água garante higiene pessoal, limpeza da escola, irrigação da horta, para o nosso consumo e da comunidade”.
Em Morada Nova (CE), o agricultor Francisco Regivaldo Assunção utiliza cisternas para consumo e produção: “A água do córrego vem para cá, filtrando. Depois passa por canos e cai dentro da cisterna. Como é uma água que vem do solo, é mais fertilizada e já ajuda a produzir”. As informações foram retiradas do Governo Federal.








