Quinta-feira, 12/02/26

Consulta pública sugere verificação de idade variável por risco na internet

Consulta pública sugere verificação de idade variável por risco na internet
Consulta pública sugere verificação de idade variável por risco na – Reprodução

Uma consulta pública realizada pelo governo federal sobre a aferição de idade de usuários na internet indicou que não é possível adotar uma regra única e rígida para sites e aplicativos realizarem essa checagem. As sugestões apontam para a necessidade de definir métodos mais rigorosos conforme o risco oferecido pelas plataformas. Por exemplo, um fórum de adultos demandaria verificação mais rigorosa do que um site de receitas.

Os resultados da consulta, publicada na semana passada e apresentados nesta quarta-feira (11) em São Paulo, foram baseados em 70 contribuições coletadas entre 15 de outubro e 14 de novembro do ano passado, vindas de pessoas físicas, empresas, instituições acadêmicas e entidades da sociedade civil. A mera declaração de idade, como um clique afirmando ser maior de 18 anos, foi considerada insuficiente para conter situações de risco.

Segundo Ricardo de Lins e Horta, diretor de Segurança e Prevenção de Riscos no Ambiente Digital do Ministério da Justiça e Segurança Pública, é preciso pensar em modelos de duplas camadas para a aferição, especialmente em aplicações que envolvem riscos de exposição a conteúdos impróprios para crianças e adolescentes. “A aferição de idade veio para ficar”, afirmou Horta, destacando que esse processo ocorrerá globalmente e que a questão é como implementá-lo.

A aferição de idade consiste na verificação ou comprovação da idade real de um usuário antes de liberar acesso a certos conteúdos ou serviços digitais. Métodos incluem autodeclaração, biometria ou credenciais digitais confiáveis. O objetivo é evitar que crianças e adolescentes sejam expostas a materiais não permitidos para sua faixa etária ou a conteúdos criminosos, como imagens de abuso e exploração sexual infantil.

A apresentação ocorreu durante o evento que marcou o Dia da Internet Segura, promovido pela Safernet Brasil, pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Horta mencionou preocupações relatadas, como a responsabilidade pela verificação — se deve recair sobre a família, o Estado ou as empresas — e o risco de uso indevido dos dados de crianças e adolescentes para controle estatal, comercial ou treinamento de inteligência artificial sem consentimento.

As propostas subsidiarão o decreto que regulamentará o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entra em vigor em 17 de março. A elaboração do decreto é produzida em conjunto pelo Ministério da Justiça, a Casa Civil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

Com a regulamentação, espera-se criar uma cultura em que sites com conteúdos de risco exijam verificação de idade como camada de proteção. “A aferição de idade é uma camada de proteção muito importante e que não existia”, disse Horta, enfatizando que ela não resolve sozinha os problemas de segurança na internet e não restringe liberdades de expressão, mas adapta a experiência à idade, similar ao mundo físico. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

T LB

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