Abel Braga, ex-técnico do Internacional, foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) nesta quinta-feira (12/2) a cumprir suspensão por cinco partidas e pagamento de multa de R$20 mil. A penalização foi solicitada pela entidade em decorrência de uma fala homofóbica enquanto ainda comandava o Colorado em 2025.
O comentário com teor homofóbico proferido por Abel Braga foi feito durante a sua reapresentação ao Internacional. No dia 30 de novembro de 2025, o ex-técnico relacionou a cor rosa a homossexuais e defendeu a ideia de que seu time não deveria treinar com uniformes dessa cor:
“Um que foi meu atleta e tenho muita admiração. O D’Ale parece uma formiguinha, está em todo lugar do campo. Fiz uma brincadeira, ele deu um esporro em todo mundo. ‘Eu falei não quero po*** do meu time treinando de camisa rosa, parece time de viado’. Ele já falou: “já falei que tem de tirar essa camisa ae”, disse Abel Braga.
No entendimento da 6ª Comissão Disciplinar do STJD, “configura ato discriminatório manifestação verbal proferida por treinador, em entrevista coletiva, que associa de forma pejorativa elemento neutro (cor de uniforme) à orientação sexual, mediante expressão historicamente utilizada para inferiorizar pessoas LGBTQIAPN+”.
Durante o julgamento, Abel Braga disse que “não tinha a menor intenção de querer ofender seja quem for”.
A auditora Aline Gonçalves Jatahy questionou ao treinador se ele associa a cor rosa a algum estereótipo de orientação sexual. Em resposta, Abel Braga negou e disse que, inclusive, “uso muito rosa (…) não tenho qualquer tipo de discriminação”.
O comentário de teor homofóbico teve repercussão nacional e causou revolta em torcedores e rivais. Após alguns dias, Abel Braga se defendeu das acusações de homofobia e usou a morte do seu filho para rebater as críticas:
“Eu quero fazer uma colocação daquilo que houve lá na última coletiva, onde eu fui relatar uma brincadeira que aconteceu no treinamento e isso criou uma polêmica muito grande. Eu já me desculpei, não deveria ter falado absolutamente nada naquele momento”, iniciou o treinador.
“Só quero que vocês entendam uma coisinha, preciso fazer esse parênteses porque é a minha vida. Eu perdi um filho com 19 anos. Quem perde um filho não é homofóbico. Quero que vocês entendam isso. Foi uma brincadeira que eu fui o juvenil, não devia ter falado nada ali e pronto, aquilo passava”, disse Abel.
Nas redes sociais, Abel voltou a se defender das acusações e postou:
“Colorados e coloradas, em primeiro lugar reconheço que não fiz uma colocação boa sobre a cor rosa durante a minha coletiva. Antes que isso se prolifere, peço desculpas. Cores não definem gêneros. O que define é caráter. O Internacional precisa de paz e muito trabalho.
Vamo, vamo Inter!”
Abel Braga e Internacional
O Internacional passou aperto no final de 2025. O time colorado esteve durante boa parte do segundo turno na zona de rebaixamento, mas conseguiu escapar da segunda divisão na última rodada ao vencer o Bragantino e contar com a combinação de outros resultados.
Abel Braga foi tratado como herói na briga contra o rebaixamento. O treinador assumiu o comando após a saída de Ramón Menezes e salvou a equipe na reta final do Campeonato Brasileiro 2025.
A torcida do Internacional idolatra Abel Braga por outro momento importante da história da equipe. O ex-técnico comandou o grupo que conquistou a Libertadores e o Mundial de Clubes em 2006.








