O impacto desigual de conteúdos controversos entre os gêneros pode ocorrer devido aos interesses distintos entre meninos e meninas, explica Priscilla Branco, da Ipsos. Para explicar, ela cita o psicólogo Jonathan Haidt, autor do best seller “A geração ansiosa” e uma das referências da pesquisa. Segundo ele, meninas buscam se conectar e ampliar sua rede de amigas na internet, enquanto meninos estão interessados em jogos e entretenimento
O algoritmo, por sua vez, se encarrega de bombardear as crianças e adolescentes com conteúdos controversos dentro da esfera de interesse deles. Outro dado da pesquisa explicita isso: cenas de violência extrema aparecem para um terço dos jovens (35%). Parte dos jovens entrou em contato com isso porque gostam de filmes e séries com esse teor. Para metade, esse tipo de coisa simplesmente apareceu na timeline.
Posts violentos, aliás, impactam em igual proporção meninos e meninas, de todas as idades. Essa é só uma das conclusões do estudo que vale para ambos os gêneros. A outra é que o contato com situações inapropriadas e até ilícitas via redes sociais vai se tornando mais frequente conforme a idade aumenta.
Uma terceira é que há uma disseminação dos perfis alternativos. Não precisava fazer pesquisa para isso, mas o estudo detectou que a presença de crianças e adolescentes com idades de 10 a 17 anos nessas plataformas é indiscriminada. Chega a quase 100% deles. Também levantou que eles têm em média contas em cinco desses sites. Mas a pesquisa descobriu ainda que 25% possuem perfis paralelos em uma mesma rede social, seja para fugir dos olhos dos pais, seja para incorporar personagens.
Com mais de um perfil, duplica a possibilidade de receber contato [de pessoas estranhas], de ver conteúdos controversos. Existe uma parcela significativa de pais que estão alienados em relação ao que os filhos fazem na internet
Priscilla Branco








