O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento sigiloso na terça-feira (10) para investigar possíveis tentativas de aliciamento de mulheres no Brasil relacionadas ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.
A procuradora da República Cinthia Gabriela Borges disse, em entrevista exclusiva à BBC News Brasil, que a intenção é analisar todas as situações em que mulheres brasileiras possam ter sido aliciadas e tentar identificar se havia redes de aliciamento no país.
Conforme mostrou a BBC News Brasil, o MPF recebeu uma denúncia na última semana sobre uma troca de emails entre uma brasileira e Epstein, ocorrida em 2010, em que eles tratavam de uma viagem de uma mulher de Natal, descrita como alguém de “família simples”, aos Estados Unidos.
Na troca de mensagens, Epstein pediu fotos da brasileira de biquíni ou sutiã. Não é possível saber, pelas mensagens, o objetivo da viagem ou se ela ocorreu, de fato.
Essa denúncia resultou em um procedimento formal, agora instaurado na Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes. O órgão é uma estrutura especializada no MPF que centraliza todas as investigações e ações judiciais do país nessa área.
O caso em Natal, foco da denúncia feita ao MPF, não será o único analisado.
Na segunda-feira (9), a BBC News Brasil revelou que Epstein manteve relações pessoais com modelos brasileiras, ajudou-as financeiramente e até pode tê-las empregado em algum momento como assistentes.
O órgão disse, em resposta à reportagem sobre essas novas conversas, que vai acompanhar a divulgação dos arquivos do caso publicados pelo governo americano e buscar outras menções a brasileiros.
“O MPF está atento a essa situação de mulheres que estavam no Brasil e que foram levadas para os EUA com alguma intenção de exploração sexual, porque isso pode vir a caracterizar o crime de tráfico internacional de pessoas”, disse Borges.
Diversas mensagens demonstram dependência financeira delas em relação ao bilionário, como pagamento de procedimentos estéticos, cortes de cabelo, viagens e até compra de celulares. Em troca, ele receberia fotos e contatos de outras mulheres, de idade não divulgada nos documentos.
Não há, nas mensagens, informação sobre a idade das pessoas envolvidas.
A reportagem identificou conversas por email datadas pelo menos desde 2006, antes de Epstein ter sido preso pela primeira vez.
Nessas conversas, ele é convidado para festas, fala de visitas a São Paulo, diz que vai mandar dinheiro, pede para que apresentem outras mulheres a ele, recebe fotos dessas mulheres (suas idades não são mencionadas) e até mesmo avisa a uma delas que seria preso pela primeira vez poucos dias antes de isso ocorrer, em 2008.
A BBC News Brasil mostrou, na última semana, que um parceiro de Epstein conversou com ele sobre a intenção de comprar uma revista de moda no Brasil e que teriam um contato direto no país para conseguir garotas, inclusive com menores de idade.
Revelou também, por meio de entrevista com uma vítima, que diversas brasileiras estiveram em sua mansão nos EUA.








