Segunda-feira, 16/02/26

Produção brasileira de petróleo fica mais poluente em 2025

Produção brasileira de petróleo fica mais poluente em 2025
Produção brasileira de petróleo fica mais poluente em 2025 – Reprodução

Dois indicadores divulgados este mês indicam que a produção brasileira de petróleo ficou mais poluente em 2025. A queima de gás natural em plataformas atingiu o pior patamar dos últimos 15 anos, e as emissões de gases do efeito estufa pela Petrobras aumentaram.

Os aumentos ocorreram em um ano de produção recorde de petróleo e gás no país, com 4,9 milhões de barris por dia. O governo argumenta que a intensidade de emissões da indústria petrolífera nacional ainda é baixa em relação ao resto do mundo.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) calcula que o volume de gás queimado em plataformas petrolíferas chegou a 5,1 milhões de metros cúbicos por dia em 2025 –crescimento de 17% em relação ao volume registrado em 2024.

É o maior desde os 6,6 milhões de metros cúbicos por dia computados em 2010.

Além de emitir gás carbônico, a prática tem grande potencial para a emissão de metano, gás com maior capacidade de aquecer a atmosfera. “[A queima] contribui de forma cada vez mais escalonada para a questão da mudança climática”, afirma Luiz Afonso Rosário, consultor sênior da ONG 350.org.

Segundo cálculos do Banco Mundial, a queima de gás em plataformas emite anualmente cerca de 400 milhões de toneladas de gases do efeito estufa -o equivalente a todas as emissões do Egito em 2023. Em 2024, o volume de gás queimado no mundo atingiu o maior patamar desde 2007.

A queima ocorre por diversas razões: limitações de mercado ou restrições econômicas, falta de infraestrutura para transporte do gás, ausência de regulação para coibir a prática ou desinteresse das petroleiras em investir no aproveitamento desse combustível.

O Brasil reduziu sensivelmente sua queima nos anos 2010, mesmo com a produção de petróleo em alta, e é citado pelo Banco Mundial como um exemplo de que regulação adequada e investimentos podem minimizar o problema.

Em 2009, o volume de gás queimado no país atingiu o pico de 9,4 milhões de metros cúbicos por dia.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) afirma à Folha que, embora a queima tenha crescido em 2025, a produção de gás natural também aumentou, o que ajudou a manter estável o percentual de queima sobre a produção total.

Em 2010, o Brasil queimava 10% de sua produção. Hoje, queima 2,8% –percentual que, segundo a agência, está dentro dos padrões internacionais.

“A ANP cobra sempre dos produtores que a queima de gás em ‘flares’ [torres] seja a menor possível”, afirma o diretor-geral da ANP, Arthur Watt. “A queima só é autorizada em caráter temporário e mediante justificativas operacionais ou de segurança.”

A agência diz ainda que a entrada em operação de novas plataformas durante o ano contribuiu para o cenário, já que o comissionamento dos equipamentos exige queima total de gás nos primeiros meses. Em 2025, a Petrobras colocou três novas plataformas em operação, incluindo a maior já instalada no país.

A norueguesa Equinor começou as operações da plataforma de Bacalhau, também de grande porte, com capacidade para produzir 220 mil barris por dia.

A Petrobras destaca, em nota, que os dados da ANP consideram emissões de todas as empresas com operações no Brasil e que as suas emissões cresceram menos de 2% em 2025, mesmo diante do aumento de 13,5% na produção operada pela companhia.

A estatal diz ainda que o início de operações de novas plataformas de petróleo é um período de maior queima, “por questões de segurança, estabilização dos equipamentos e comissionamento de infraestrutura de escoamento e/ou reinjeção de gás”.

Em seu relatório anual de produção, a Petrobras aponta que suas emissões de gases do efeito estufa cresceram 7% em 2025, para 47 milhões de toneladas. Também cita as novas plataformas como causa, além de um aumento na utilização de gás com a inauguração de unidade de tratamento de gás no Rio.

No relatório de produção, a empresa diz que a intensidade de carbono de suas operações de exploração e produção, de 14,7 kg de gás carbônico equivalente por barril, ficou dentro da meta para o ano.

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), em nota, afirma que a emissão de gases do efeito estufa é um dos principais impactos avaliados no licenciamento de projetos petrolíferos no país.

As licenças, continua, estabelecem programas de monitoramento de emissões que acompanham os limites de queima estabelecidos pela ANP. “O licenciamento ambiental federal, em consonância com a necessidade de adaptação das suas medidas às mudanças climáticas, vem inserindo em seus processos, gradativamente, planos de mitigação e adaptação.”

O órgão ambiental diz que incluiu a necessidade de implementação de um plano de mitigação de mudanças climáticas no último processo de licenciamento para o pré-sal. “Gradativamente, a mesma medida será incorporada aos demais licenciamentos dessa tipologia conduzidos pelo Ibama”, conclui.

T LB

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