Terça-feira, 17/02/26

ONGs exigem rejeição de proposta da UE para acelerar deportações de imigrantes

ONGs exigem rejeição de proposta da UE para acelerar deportações de imigrantes
ONGs exigem rejeição de proposta da UE para acelerar deportações – Reprodução

Mais de 70 organizações não governamentais (ONGs) pediram aos eurodeputados que rejeitem uma proposta da Comissão Europeia para intensificar o controle de fronteiras e acelerar o repatriamento de imigrantes em situação irregular. As entidades alertam que as medidas poderiam levar a invasões domiciliares, vigilância intensiva e discriminação racial, semelhantes às políticas do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) nos Estados Unidos.

A proposta faz parte da Estratégia Europeia de Gestão do Asilo e da Migração, apresentada no final de janeiro deste ano. Ela visa reduzir a entrada de pessoas sem documentação necessária, reforçar a política de vistos, intensificar o controle das fronteiras externas e acelerar os repatriamentos. O regulamento, que vigoraria por cinco anos se aprovado, será votado no Parlamento Europeu no início de março.

Em declaração conjunta publicada nesta segunda-feira (16), 75 ONGs, incluindo a Plataforma para a Cooperação Internacional sobre Migrantes Indocumentados (Picum) e a Médicos do Mundo, insurgiram-se contra o projeto. Elas alertam que a ampliação das operações de busca e apreensão em espaços públicos e privados transformaria os espaços cotidianos na Europa. Michele LeVoy, diretora da Picum, criticou a possível expansão do perfilamento racial e vigilância nos serviços públicos, comparando às ações do ICE, incluindo buscas em casas particulares. “Não podemos ficar indignados com a ação do ICE nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, apoiar essas práticas na Europa”, disse ela.

As ONGs também temem que as medidas obriguem serviços públicos a colaborar com a polícia, denunciando pessoas irregulares, e permitam buscas domiciliares sem mandado judicial. Elas descrevem os planos como um “sistema punitivo, alimentado pela retórica da extrema-direita e baseado em suspeitas racializadas, denúncias, detenções e deportações”. Os grupos recordam que a Europa conhece, por sua história, os perigos de sistemas de vigilância e controle.

A Comissão Europeia defende as medidas como “procedimentos eficazes e modernos” para aumentar deportações de pessoas com asilo recusado ou vistos expirados. O comissário para a Administração Interna e Migração, Magnus Brunner, afirmou que a prioridade é reduzir chegadas ilegais e mantê-las em nível baixo, controlando fronteiras de forma eficaz, limitando a migração ilegal e evitando abusos.

Andrea Soler Eslava, representante da Médicos do Mundo na UE, alertou para uma crise na saúde pública, similar à observada em Minnesota, onde políticas de imigração afastam grávidas, crianças e doentes crônicos de serviços essenciais, mesmo em risco de vida.

Paralelamente, 16 especialistas em direitos humanos da ONU enviaram uma carta à UE no final de janeiro, expressando preocupações com violações de obrigações internacionais e questionando as motivações da proposta, vistas como motivadas por estigmatização de migrantes para resolver problemas sociais internos.

Recentemente, a UE avançou na criação de centros offshore para migrantes, aprovada por eurodeputados de centro-direita e extrema-direita, incluindo envio de pessoas para países onde nunca viveram. Dados da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) indicam diminuição de 26% nas detecções de passagens irregulares em 2025 em comparação ao ano anterior, com 177.781 pessoas identificadas, o valor mais baixo desde 2021.

T LB

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