Um estudo científico publicado no Journal of Royal Society Interface alerta que o aumento global das temperaturas deve impulsionar mais infecções pelo vírus Chikungunya nos próximos anos. Transmitido principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, o vírus causa dores intensas nas articulações que podem durar anos e é potencialmente fatal em crianças e idosos.
A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (18) pelo jornal britânico Guardian, identifica maior risco de epidemias no sul da Europa, especialmente em Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal. Segundo os autores, o aquecimento global está permitindo a sobrevivência e reprodução dos mosquitos durante todo o ano nessas regiões, onde outrora os invernos frios atuavam como barreira.
A análise revela que a temperatura mínima para incubação do vírus no Aedes albopictus é de 2,5°C, substancialmente inferior às estimativas anteriores de 16°C a 18°C. A temperatura máxima favorável à transmissão varia entre 13°C e 14°C, ampliando o período e o alcance dos surtos potenciais para mais 29 países, incluindo grande parte da Europa.
O vírus, detectado pela primeira vez em 1952 na Tanzânia, não se transmite diretamente de pessoa para pessoa, mas há casos documentados de transmissão de mãe para filho durante a gravidez ou perinatal, e por transfusões de sangue contaminado. No ano passado, França e Itália registraram centenas de casos, após anos com poucas ocorrências na Europa.
Sandeep Tegar, autor principal do estudo do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), destacou ao Guardian que o ritmo de aquecimento na Europa é o dobro da média global, tornando a propagação uma questão de tempo para regiões mais ao norte. A Dra. Diana Rojas Alvarez, da Organização Mundial da Saúde (OMS), enfatizou que até 40% das vítimas podem sofrer artrite ou dores agudas cinco anos após a infecção.
Especialistas recomendam maior vigilância, controle de mosquitos e educação da população europeia. Medidas incluem eliminar água parada, usar roupas compridas e claras, repelentes e criar sistemas de monitoramento para a doença, evitando assim uma expansão ainda maior.








