Um projeto desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), implementou um jardim de chuva no Trecho II do Sol Nascente para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. A iniciativa, intitulada “Ação nas Periferias: Apoio à Implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) para a Adaptação Inclusiva das Periferias Urbanas às Mudanças Climáticas”, foi financiada pelo edital Seleção Pública de Projetos de Extensão de 2024 e utiliza soluções sustentáveis para combater problemas como alagamentos frequentes e processos erosivos na região.
Jardim de chuva e Soluções Baseadas na Natureza
As chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SbN) utilizam os próprios processos naturais para enfrentar desafios urbanos e climáticos. Em vez de depender exclusivamente de obras tradicionais, essas soluções incorporam vegetação e solo permeável para permitir que a água da chuva se infiltre no solo, reduzindo alagamentos e erosões.
No Sol Nascente, o projeto implantou um protótipo de SbN: um jardim de chuva integrado à bacia de detenção da Quadra 209, dimensionado para captar e infiltrar a água pluvial. A intervenção foi construída a partir de uma metodologia participativa baseada na pesquisa-ação, que integrou conhecimento técnico e os saberes da própria comunidade, com moradores participando do diagnóstico, da definição do local e da execução da solução.
Formação, parcerias e impacto social
A iniciativa integra o projeto SBN nas Periferias, coordenado pelo Ministério das Cidades, e foi desenvolvida em parceria com a Administração Regional do Sol Nascente/Pôr do Sol e outras entidades. Além da obra física, foram realizadas oficinas técnico-comunitárias, um curso de extensão com módulos teóricos e práticos, atividades educativas com a escola local e a capacitação de agentes territoriais.
O projeto também utilizou drones e fotogrametria para identificar áreas de risco e orientar as intervenções. Entre os principais resultados alcançados estão:
- a implantação de infraestrutura verde em área vulnerável;
- a organização do método de trabalho para aplicação em outros territórios;
- a produção científica e materiais técnicos;
- orientações que podem subsidiar políticas públicas de adaptação climática.
Estima-se que cerca de 500 pessoas tenham sido beneficiadas diretamente e entre 3 mil e 5 mil indiretamente.
Apoio institucional e pesquisa aplicada
A coordenação do projeto é da professora Liza Maria Souza de Andrade, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. “O que buscamos foi demonstrar que é possível construir adaptação climática a partir do território, com a comunidade como coautora das soluções. As Soluções Baseadas na Natureza permitem responder a problemas reais, como alagamentos e erosões, de forma tecnicamente consistente e socialmente adequada”, destaca a professora.
Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, a iniciativa torna evidente o papel da pesquisa aplicada. “Apoiar projetos que transformam conhecimento científico em ação concreta no território é uma prioridade da FAPDF. Iniciativas como esta mostram que a pesquisa desenvolvida no Distrito Federal pode gerar impacto social direto, reduzir vulnerabilidades e contribuir para uma agenda de desenvolvimento mais justa e sustentável”, afirma.
A coordenadora do projeto reforça que o apoio institucional foi determinante. “O apoio da FAPDF foi decisivo para que conseguíssemos integrar ensino, pesquisa e extensão em uma ação efetiva no Sol Nascente. O financiamento permitiu estruturar as oficinas, realizar o mapeamento técnico e consolidar uma metodologia que pode ser aplicada em outros territórios periféricos. Trata-se de um investimento público que retorna diretamente à sociedade”, afirma Liza.
*Com informações da FAPDF







