Terça-feira, 24/02/26

Semob encerra prazo do QR Code com 30 mil motoristas regularizados no DF

Semob encerra prazo do QR Code com 30 mil motoristas regularizados no DF
Semob encerra prazo do QR Code com 30 mil motoristas – Reprodução

Com o encerramento do prazo, nesta segunda-feira (23), para emissão do dístico com QR Code pelos motoristas de aplicativo no Distrito Federal, a Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) informou que cerca de 30 mil profissionais já estão devidamente cadastrados e com o código emitido. A estimativa da pasta é de que aproximadamente 3 mil prestadores ainda precisam regularizar a situação.

De acordo com o subsecretário de Serviços da secretaria, Wallisson Perônico, há atualmente 63 mil cadastros no sistema. No entanto, a Semob identificou que cerca de 33 mil motoristas estão efetivamente ativos e em circulação no DF. “A última atualização pela manhã apontava 30 mil motoristas já cadastrados e com o QR Code retirado. Temos a estimativa de que cerca de 3 mil ainda precisam se regularizar”, informou.

Questionado sobre a possibilidade de nova prorrogação do prazo, o subsecretário afirmou que não há previsão de extensão. Segundo ele, a decisão foi alinhada em reunião realizada na manhã desta segunda-feira com o secretário Zeno Gonçalves. A pasta argumenta que o cronograma já havia sido ampliado anteriormente e que o encerramento seguiu o planejamento estabelecido.

Para os motoristas que enfrentam dificuldades na emissão do QR Code, a orientação é buscar atendimento presencial no edifício Infra, onde a equipe técnica realiza os encaminhamentos de acordo com cada caso. Problemas relacionados a inconsistências no cadastro do veículo devem ser tratados junto às plataformas, como Uber e 99, enquanto situações envolvendo dados pessoais são analisadas individualmente. Segundo a secretaria, o sistema permanece funcionando normalmente.

A implementação do QR Code, de acordo com a Semob, é estratégica para reforçar a fiscalização e combater o transporte irregular de passageiros. O subsecretário citou pontos como a Rodoviária Interestadual de Brasília, o Aeroporto Internacional de Brasília e grandes eventos como locais onde há registro de atuação de motoristas clandestinos. A proposta é equiparar a identificação dos veículos por aplicativo ao modelo já adotado pelos táxis, que possuem luminoso e sinalização própria. Com a identificação digital fixada no veículo, o passageiro poderá verificar se o condutor está devidamente cadastrado, o que, segundo a pasta, amplia a segurança e tende a fortalecer a demanda para os profissionais regularizados.

Entre os motoristas, a percepção sobre a medida varia. Morador do Gama, Leandro Rodrigues, 29 anos, atua como motorista de aplicativo há três anos e afirma que não teve dificuldades para realizar o cadastro. Ele conta que tomou conhecimento da obrigatoriedade em 16 de dezembro, quando recebeu notificação da própria plataforma informando que a regularização passaria a ser exigida no dia seguinte. “Depois o prazo foi adiado para o dia 23 de dezembro. Acessei o site da Semob, fiz a inscrição e foi bem rápido. Deu tudo certo para mim”, relata. Segundo ele, o sistema gerou o QR Code para impressão e fixação no veículo. “Eu fiz antes de se tornar obrigatório. Vi que nesses últimos dias algumas pessoas tiveram problema, mas para mim foi tranquilo”, completa.

Para a motorista Cristiane de Souza Lima, 43 anos, moradora de Arniqueiras e há quatro meses nas plataformas, a medida pode representar um avanço na segurança. Técnica de enfermagem de formação, ela atualmente se dedica exclusivamente às corridas por aplicativo. “Eu acredito que o QR Code é mais segurança, tanto para o passageiro quanto para o motorista”, afirma. Segundo Cristiane, são frequentes os relatos de situações de risco envolvendo a categoria. “Já ouvi bastante relato de passageira que teve motorista que surtou dentro do carro e precisou descer. Também já ouvi caso de motorista que foi esfaqueado por mulher. É muita coisa que a gente ouve”, diz.

A norma determina que o selo com QR Code seja fixado no veículo, permitindo que passageiros e agentes de fiscalização consultem a regularidade do condutor e do automóvel, inclusive eventuais pendências. As empresas terão prazo de até 90 dias para se adequar integralmente às exigências.

Já o motorista Fernando Oliveira Feitosa, 46 anos, morador de Águas Lindas (GO) e há cerca de um ano na atividade, avalia que a categoria ainda está “meio perdida” quanto à obrigatoriedade. “A Semob não enviou nenhum comunicado direto. A gente não recebeu mensagem explicando como vai funcionar”, afirma. Para ele, a medida não deve trazer mudanças significativas na prática. “Falam que é para segurança do passageiro, mas o passageiro já tem muita segurança. O motorista é que não tem segurança de nada”, argumenta.

Fernando destaca que, ao solicitar uma corrida, o usuário tem acesso a foto, nome e dados do veículo do condutor, enquanto o motorista visualiza apenas o primeiro nome do passageiro, que nem sempre é quem utilizará o serviço. “A gente não tem acesso a quase nada do passageiro”, diz. Ele também defende maior fiscalização sobre as plataformas privadas e lembra que taxistas passam por vistorias anuais e pagam taxas para continuar exercendo a atividade. “Quando a corrida aparece, temos poucos segundos para aceitar ou não. Eu faço o cálculo rápido para ver quanto vou ganhar por quilômetro. Mas nem todo mundo consegue”, relata.

Enquanto a Secretaria sustenta que o QR Code representa avanço na fiscalização e no combate ao transporte irregular, parte da categoria cobra mais diálogo e garantias de proteção para quem está ao volante. O debate, agora, segue nas ruas e nas plataformas digitais que movimentam diariamente milhares de corridas no Distrito Federal.

T LB

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