RISCO AUMENTADO
A criptografia de ponta a ponta — na qual a mensagem do remetente é transmitida em um formato que apenas o dispositivo do destinatário pode decodificar — é um recurso padrão de privacidade de muitos aplicativos de mensagens, incluindo o iMessage, da Apple, o Google Messages e o WhatsApp, também da Meta.
Mas defensores da segurança infantil, incluindo o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) dos EUA, argumentaram que a tecnologia representa um risco elevado quando incorporada a redes sociais públicas que conectam facilmente crianças a pessoas que elas não conhecem.
Os documentos apresentados no Novo México mostram que os executivos seniores de segurança da Meta expressam esse mesmo receio. Mesmo com Zuckerberg afirmando publicamente que a empresa abordava os riscos do plano, os principais executivos de segurança e política expressaram internamente a sua consternação, com Bickert, chefe da política de conteúdo, afirmando que a empresa fazia “declarações grosseiramente erradas sobre a nossa capacidade de conduzir operações de segurança”, mostram os documentos.
“Devo dizer que não estou muito interessada em ajudá-lo a vender isso”, escreveu Bickert sobre os esforços de Zuckerberg para promover a criptografia por motivos de privacidade. Com a encriptação de ponta a ponta, “não há como descobrir o planejamento de ataques terroristas ou a exploração infantil” e encaminhar proativamente esses casos às autoridades policiais, acrescentou ela.
Em um email de fevereiro de 2019, um documento informativo da Meta estimou que o total de denúncias reportadas pela empresa envolvendo imagens de nudez infantil e exploração sexual ao NCMEC no ano anterior teria caído de 18,4 milhões para 6,4 milhões se o Messenger tivesse sido criptografado, uma queda de 65%.







