Terça-feira, 24/02/26

Beneficiários denunciam atrasos na tramitação de pedidos de anistia na Venezuela

Beneficiários denunciam atrasos na tramitação de pedidos de anistia na Venezuela
Beneficiários denunciam atrasos na tramitação de pedidos de anistia na – Reprodução

Potenciais beneficiários da anistia recém-promulgada na Venezuela denunciaram na segunda-feira e terça-feira (23 e 24) que os tribunais atrasam o recebimento de seus pedidos para obter liberdade plena.

Cerca de 90 presos políticos já deixaram a prisão, segundo a ONG Foro Penal, após a promulgação da histórica lei impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez, que prevê o arquivamento de processos penais de centenas de detidos. A medida também beneficiará 11 mil pessoas em liberdade condicional.

No entanto, a lei, que não tem aplicação automática, exige que aqueles que queiram optar pelo benefício compareçam aos tribunais para revisar cada caso e determinar o arquivamento do processo ou a anulação da sentença.

Advogados de presos políticos e de libertados com medidas cautelares foram na segunda-feira aos tribunais em Caracas para apresentar os primeiros pedidos, mas a maioria encontrou negativas e atrasos ao protocolar seus documentos.

“Os tribunais que nos submeteram arbitrariamente a processo continuam sendo nossos algozes, não se pode permitir que violem a lei de anistia”, denunciou Rodrigo Cabezas, ex-ministro das Finanças de Hugo Chávez, em liberdade condicional desde julho de 2025.

Ele explicou que o tribunal responsável por seu caso não admitiu o pedido ao indicar que “não há expediente”. “Reitero que não cometi crime algum” e “reivindico, como meu direito humano, que se encerre a fraude processual que me afetou junto a meus entes queridos”, acrescentou.

A lei determina que os tribunais têm prazo máximo de 15 dias para “verificar os pressupostos da anistia”.

O sindicato dos trabalhadores da imprensa afirmou, por sua vez, que “nenhum tribunal recebeu os requerimentos” de um grupo de jornalistas que solicitou o benefício.

Alguns casos foram tramitados. “Fui atendida na defensoria pública e houve receptividade muito boa”, indicou Liomary Espina, de 57 anos, que espera resposta a seu pedido em três dias úteis.

A Assembleia Nacional criou uma comissão especial para acompanhar e tratar casos excluídos na lei.

T LB

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