Quinta-feira, 26/02/26

1 mil mortes em 100 mil acidentes: MaisGoiás.doc revela o impacto da imprudência no trânsito em 2025

1 mil mortes em 100 mil acidentes: MaisGoiás.doc revela o impacto da imprudência no trânsito em 2025
1 mil mortes em 100 mil acidentes: MaisGoiás.doc revela o – Reprodução

Em Goiás, a morte chega mais rápido pelo asfalto do que pelo cano de uma arma. É uma estatística dura, desconfortável e quase sempre ignorada. O MaisGoiás.doc apresenta “Tragédia no Trânsito – A violência que ninguém quer ver”, produção que escancara uma realidade silenciosa: o trânsito se transformou em um dos principais cenários de violência urbana da capital e do estado. Uma violência diária, previsível e, na maioria das vezes, evitável.

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Dados oficiais do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) mostram que em 2024, 1.021 pessoas morreram em acidentes. Em 2025, foram 908 vítimas fatais. O número de acidentes praticamente não mudou. Em 2024, foram 100.977 registros. Em 2025, ocorreram 100.917 acidentes. Já o número de pessoas feridas aumentou, foram 101.967 feridos em 2024 e 102.405 em 2025.

O dado revela um cenário preocupante: mais pessoas sobrevivem, mas muitas carregam sequelas físicas e emocionais permanentes. Para o presidente do Detran-GO, Waldir Soares, o desafio vai além da fiscalização. “O trânsito é um espaço coletivo. Quando alguém escolhe acelerar, usar o celular ou dirigir após consumir álcool, essa decisão pode custar vidas que não têm nada a ver com isso”, afirma.

O titular da Delegacia de Investigação de Crimes de Trânsito (Dict), Paulo Ludovico, alerta que os números refletem escolhas. “Não estamos falando de fatalidade. Na maioria dos casos, são decisões erradas, comportamentos irresponsáveis e desrespeito às leis que tiram vidas”, declara.

Por trás dos números, vidas interrompidas

Cada estatística esconde uma história que não terminou como deveria. Famílias que não voltaram a ser as mesmas. Rotinas interrompidas de forma abrupta.

É o caso de Clara Mello, pedagoga atropelada no Parque Amazônia enquanto atravessava na faixa de pedestres. Ela passou mais de um mês internada e carrega até hoje o trauma. “Eu fazia tudo certo. Mesmo assim, quase morri. Hoje, atravessar uma rua ainda dá medo”, conta. Clara representa um grupo crescente: pedestres vítimas da pressa, da imprudência e da falta de empatia.

Motociclistas: os mais expostos, os mais atingidos

Em Goiás, ninguém morre mais no trânsito do que motociclistas. Entre 2023 e 2024, mais de 1.200 perderam a vida, a maioria homens jovens, entre 20 e 39 anos, que representam 84% das vítimas fatais.

Entre as vítimas desse tipo de acidente está Sérgio Antônio Garcia, que sobreviveu, mas perdeu uma perna. “Minha vida mudou completamente. O futuro que eu imaginava simplesmente acabou ali”, relata.

O documentário mostra como o aumento no número de veículos, a rotina exaustiva de entregadores e o comportamento agressivo no trânsito transformaram a moto em sinônimo de vulnerabilidade extrema.

Quando a imprudência vira sentença de morte

Excesso de velocidade é a principal causa de mortes no trânsito — e também a infração mais registrada em Goiás. Celular ao volante, álcool, desrespeito à sinalização e ultrapassagens perigosas completam o cenário.

No Jardim América, em Goiânia, um domingo que deveria ser tranquilo terminou em tragédia. Era 26 de outubro. O sinal estava fechado. Motoristas e motociclistas aguardavam corretamente o semáforo abrir. Em segundos, tudo mudou. Uma caminhonete surgiu em altíssima velocidade, sem frear. Segundo a Polícia Militar, o motorista estava alcoolizado. O impacto atingiu quatro carros e duas motos, arrastando tudo pela frente.

Alexandre Oliveira e Macedo, de 56 anos, auditor do Conselho Tributário Fiscal de Goiânia, estava entre as vítimas. Não teve chance de reagir. Socorrido, não resistiu aos ferimentos. Outras cinco pessoas ficaram feridas.

Imagens que revelam a violência absurda provocada pela combinação de álcool e velocidade. Na delegacia e na audiência de custódia, o motorista permaneceu em silêncio.

Não foi um caso isolado. Foi um retrato cruel de uma rotina que se repete.

Quando a estrada apaga uma família inteira

Na BR-153, em Campinorte, a cerca de 300km de Goiânia, outra tragédia escancarou o risco constante das rodovias. Na noite de 20 de setembro do ano passado, uma colisão envolvendo um caminhão, dois carros e uma moto matou oito pessoas.

Oito pessoas morrem em acidente com quatro veículos na BR-153, em Goiás; 6 da mesma família

Entre elas, uma família inteira: José Mário da Silva Souto, de 38 anos; Dayane Pereira dos Santos, de 32;
os filhos José Victor, de 17; Emanuela, de 14; e José Arthur, de 10. O caçula, Théo, de apenas 3 anos, ainda foi socorrido, mas não resistiu horas depois. Seis vidas da mesma família perdidas em questão de segundos.

Família inteira morreu em acidente ocorrido em Campinorte (GO).

O documentário do Mais Goiás propõe uma reflexão necessária: Quando alguém morre por arma de fogo, o país se comove. Quando alguém morre no trânsito, chamam de acidente. Mas muitos desses “acidentes” têm causa. E quase sempre… têm culpado.

“Cada decisão no trânsito tem um impacto”, alerta o documentário.

Clara quase morreu fazendo tudo certo. Sérgio sobreviveu, mas perdeu parte de si. Outras 908 pessoas em Goiás não tiveram a mesma chance em 2025. E amanhã… quem pode ser?

Assista a íntegra do documentário “Tragédias no Trânsito – A violência que ninguém quer ver”:

T LB

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