Sábado, 28/02/26

DF detalha plano de ação contra viroses infantis

DF detalha plano de ação contra viroses infantis
Prevenir, monitorar e atender são as estratégias do DF contra as viroses infantis – Reprodução

Plano de ação contra as viroses infantis

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) colocou em ação um plano para enfrentar o aumento sazonal de casos de viroses infantis, que ocorre anualmente entre março e julho. A estratégia, que visa combater infecções respiratórias causadas por vírus como o sincicial respiratório (VSR), influenza e Sars-CoV-2, é baseada em prevenção, monitoramento e tratamento rápido.

“Os últimos anos reforçaram a importância do planejamento antecipado e da atuação integrada da rede de saúde”, aponta a médica Juliana Macêdo, coordenadora de Atenção Especializada à Saúde da secretaria. “O objetivo é reduzir casos graves, evitar desassistência e garantir maior segurança às crianças e suas famílias.”

Fases do plano e foco nas medidas

O plano contempla as fases de preparação, mobilização, alerta, emergência e crise, conforme o número de casos registrados e de pacientes atendidos. “O foco está na antecipação das medidas, no reforço da capacidade de resposta e na integração do atendimento, além da intensificação das ações de prevenção e comunicação com a população”, explica a gestora.

Prevenção, monitoramento e atendimento

Prevenção

Na primeira fase, destacam-se as medidas preventivas. Além de orientações gerais à população, é indicada a vacinação contra os vírus influenza e covid-19. Ao longo de 2025, e nas primeiras semanas de 2026, já foram aplicadas mais de 880 mil doses da vacina contra a influenza. No entanto, apenas 53% das crianças de 6 meses a menores de 6 anos foram vacinadas, percentual abaixo da meta de 90%.

A gerente da Rede de Frio Central da SES-DF, Tereza Luiza Pereira, ressalta que a vacina aplicada protege contra os vírus Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B (linhagem Áustria). “A imunização é a principal estratégia para reduzir casos graves, internações e óbitos, além de otimizar o uso das doses já disponíveis”, orienta. “Todos os anos, o imunizante é atualizado conforme as cepas do vírus com maior registro de circulação daquele período. Além disso, a imunidade obtida pela vacina dura de seis a 12 meses”.

Neste mês também foi iniciada a aplicação do nirsevimabe e do palivizumabe, medicamentos que protegem contra o vírus sincicial respiratório, indicados para bebês que nasceram prematuros. “O nirsevimabe e o palivizumabe representam avanços relevantes na prevenção das formas graves de infecção pelo VSR [Vírus Sincicial Respiratório], principal causa de bronquiolite e importante motivo de hospitalização em lactentes”, detalha Julliana Macêdo.

Monitoramento

Para o monitoramento do número de casos, o DF conta com dez unidades-sentinela, onde são coletadas amostras de pacientes com sintomas gripais para detectar os vírus em circulação. Os exames são analisados no Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF). A Diretoria de Vigilância Epidemiológica da SES-DF mantém o monitoramento constante dos casos, incluindo a situação em outras partes do Brasil e do mundo.

“A unidade-sentinela é um termômetro: se um vírus for introduzido, conseguimos detectar precocemente”, explica Renata Brandão, gerente de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis e de Transmissão Hídrica e Alimentar da secretaria.

Entre 2023 e 2025, o número de casos confirmados de síndrome respiratória aguda grave provocada pelo vírus Sars-CoV-2 caiu de 965 para 472. Já os casos provocados pelo vírus Influenza subiram de 373 para 1.421. O trabalho no laboratório também se tornou mais preciso: em 2023, 61% dos casos foram classificados como de vírus “não especificado”, índice que, em 2025, ficou em 27%.

Atendimento

A rede pública do Distrito Federal conta com 182 unidades básicas de saúde (UBSs), que são a principal porta de acesso para pacientes com sintomas leves. As UPAs de Ceilândia I, São Sebastião, Recanto das Emas e Sobradinho oferecem atendimento especializado em pediatria. Há também pronto-socorro infantil no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) e em oito hospitais regionais: Brazlândia, Ceilândia, Guará, Paranoá, Planaltina, Sobradinho, Taguatinga e Santa Maria.

Para casos mais complexos, há 128 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (Utip), distribuídos entre o Hmib (16), Hospital Regional de Taguatinga (5), Hospital de Base (20), Hospital da Criança de Brasília (58), Hospital Universitário de Brasília (10), além de 19 leitos credenciados nos hospitais Santa Marta e Anchieta Ceilândia. A rede dispõe ainda de 39 leitos de isolamento respiratório.

Juliana Macêdo lembra que, além da ampliação do número de leitos, há capacitação constante de servidores, reforço de equipes e novos métodos de trabalho. “Seguem em curso estratégias de reorganização de fluxos, qualificação da rede e otimização da capacidade instalada”.

*Com informações da Secretaria de Saúde

T LB

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