Em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, Cláudia da Silva, de 71 anos, enfrenta um profundo luto após perder quase 20 familiares em deslizamentos causados pelas chuvas intensas que atingem a região desde a última segunda-feira (23).
Moradora do bairro Parque Jardim Burnier, Cláudia montou uma tenda improvisada no local há cinco dias, onde oferece alimentos e bebidas a moradores, bombeiros, voluntários e profissionais da imprensa. “Perdi vários sobrinhos, cunhada, muita gente”, conta ela, que evita os enterros por não suportar psicologicamente o momento. Uma de suas sobrinhas permanece desaparecida nos escombros de uma casa vizinha, enquanto a cunhada era sepultada no cemitério da cidade.
“Eu prefiro ficar aqui mesmo, tentando contribuir com as pessoas. Só vou em casa para tomar banho e volto”, relata Cláudia, que critica a falta de apoio efetivo das autoridades municipais e estaduais. Segundo ela, as doações para a tenda vêm exclusivamente da população local, enquanto políticos se limitam a gravar vídeos para redes sociais sem fornecer auxílio concreto às famílias.
As chuvas deixaram pelo menos 65 mortos na região, sendo 59 em Juiz de Fora e seis em Ubá. O número de desabrigados e desalojados supera 4,2 mil pessoas. Os bombeiros estão mobilizados em três frentes de busca e resgate: bairros Paineiras, Parque Jardim Burnier e Linhares.
Nesta quinta-feira (26), um novo deslizamento no Bairro Bom Clima atingiu três casas, resultando em mais uma vítima desaparecida. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta de perigo para chuvas intensas até as 23h59 desta sexta-feira na Zona da Mata, com precipitações entre 30 e 60 milímetros por hora ou 50 e 100 mm/dia, além de ventos de 60 a 100 km/h. Há riscos de corte de energia, queda de árvores, alagamentos e descargas elétricas.








