Terça-feira, 03/03/26

ECA Digital entra em vigor em março com ênfase em verificação etária

ECA Digital entra em vigor em março com ênfase em verificação etária
ECA Digital entra em vigor em março com ênfase em – Reprodução

O Estatuto da Criança e do Adolescente na Era Digital (ECA Digital), Lei 15.211/2025, entra em vigor em 17 de março, estabelecendo regras para proteger crianças e adolescentes em ambientes digitais. A norma define deveres de provedores, mecanismos de verificação etária e medidas para reduzir exposição a conteúdos inadequados, sob coordenação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Em audiência pública nesta segunda-feira (2) no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, especialistas e autoridades discutiram os desafios de implementação da lei. O diretor de Segurança e Prevenção de Riscos no Ambiente Digital do Ministério da Justiça, Ricardo de Lins e Horta, destacou a aferição de idade como a medida de maior impacto. Ele defendeu restrições ao acesso de menores a conteúdos como pornografia, cigarros e apostas, enfatizando que crianças e adolescentes representam entre um terço e um quarto dos usuários de internet no Brasil, mas utilizam a rede como adultos.

“Chegou a hora de acabar com essa história de que a internet feita por adultos é a mesma internet que crianças e adolescentes vão frequentar”, afirmou Horta, alertando para os impactos no desenvolvimento social, cognitivo e emocional causados por conteúdos impróprios.

A classificação de conteúdos foi outro ponto abordado: impróprios, sujeitos a classificação etária como em filmes com nudez ou violência; proibidos para menores, que exigirão verificação de idade, como venda de cigarros e apostas; e ilegais para todos, incluindo abuso sexual infantil e incentivo ao suicídio.

A professora adjunta da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Renata Tomaz, defendeu uma comunicação clara da lei, utilizando termos acessíveis ao público, como “controle parental” em vez de “supervisão parental”, e “verificação de idade” em preferência a “aferição”.

A deputada federal Rogéria Santos (Republicanos-BA), presidente do grupo de trabalho da Câmara sobre proteção de crianças e adolescentes em ambiente digital, ressaltou a necessidade de educação digital para famílias e parcerias entre entes públicos, sociedade civil e responsáveis. “Se não houver uma parceria grandiosa, vamos demorar muito a canalizar essa proteção”, apontou.

O diretor da ANPD, Iagê Zendron Miola, explicou que a agência atuará em regulamentação, fiscalização e reestruturação institucional, com senso de responsabilidade para fazer a lei valer. Mayara Souza, chefe de gabinete da Secretaria Nacional das Crianças e Adolescentes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, alertou que “um único clique é suficiente para expor crianças à violência, dada a rapidez e o alcance da internet”.

Patrícia Blanco, presidente do colegiado do CCS e do Instituto Palavra Aberta, questionou como realizar verificação etária sem violar a privacidade ou causar exclusão digital, destacando o papel central da ANPD em fornecer segurança jurídica e parâmetros técnicos.

O debate também contou com a participação de Luiz Fernando Fauth, consultor do Senado. Os participantes reforçaram que a efetividade do ECA Digital depende de regulamentação técnica, coordenação entre órgãos e diálogo com a sociedade. Em outubro de 2025, a Câmara aprovou projetos para ampliar a educação digital e midiática, agora em análise no Senado.

O decreto de regulamentação está em elaboração pelo Ministério da Justiça, e a ANPD foi designada como autoridade administrativa pelo Decreto 12.622/2025.

T LB

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