Quarta-feira, 04/03/26

 Entenda o que é o PIB e como o cálculo é feito pelo IBGE

Portaria autoriza IBGE a contratar 39 mil temporários para Censo Agro e de população nas ruas
Portaria autoriza IBGE a contratar 39 mil temporários para Censo – Reprodução

O PIB (Produto Interno Bruto) é um dos principais indicadores econômicos de um país. Ele revela o valor adicionado à economia local em um trimestre ou ano.

O indicador pode ser calculado pela ótica da oferta ou pela ótica da demanda. Os métodos devem apresentar o mesmo resultado.

O avanço do PIB é usualmente chamado de crescimento econômico. Quando o indicador apresenta períodos prolongados de queda, há o que os analistas chamam de recessão.

No Brasil, o responsável pelo cálculo é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que usa uma ampla base de dados.

Vamos dar um exemplo pela ótica da oferta, também chamada de ótica da produção. Imagine que o IBGE queira calcular a produção gerada por um artesão que cobra R$ 30 por uma escultura de mármore.

Para fazer a escultura, o trabalhador usa mármore e martelo e tem de adquiri-los da indústria. O preço de R$ 30 traz embutidos os custos das matérias-primas. Se o mármore e o martelo custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o PIB foi de R$ 10.

O valor representa a produção gerada ao transformar um pedaço de mármore em uma escultura. O IBGE faz esse cálculo para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, o órgão precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas adquiridas de outros setores.

Depois de fazer esses cálculos, o instituto soma a produção de cada atividade (agropecuária, indústria e serviços), chegando à contribuição de cada uma para o crescimento econômico.

O cálculo pela ótica da demanda soma tudo o que é gasto no país -e, portanto, dá uma ideia do poder de compra em determinado período.

O principal item é a despesa da população em serviços e bens, conhecida como consumo das famílias. Outro item analisado é a despesa do Estado, chamada de consumo do governo (nas três esferas).

Também entram na conta investimentos produtivos em bens de capital (máquinas e equipamentos usados para produção de outras mercadorias), além de aportes em construção ou softwares, por exemplo. Os investimentos formam um componente do PIB que leva a sigla FBCF (formação bruta de capital fixo).

Ao que foi gasto por famílias, governos e empresas são acrescentadas as exportações e, desse valor, são descontadas as importações.

Os resultados do PIB costumam ser divulgados pelo IBGE cerca de 60 dias depois do fechamento de um trimestre.

Os dados definitivos acumulados ao longo de um ano, porém, só saem dois anos depois, quando ficam disponíveis estatísticas mais completas sobre a renda do país.

O IBGE trabalha em um processo de revisão nas contas nacionais, que abrangem o PIB. Essa atualização é recomendada para captar de tempos em tempos as transformações na economia, como impactos digitais e usos do meio ambiente.

Para fazer a revisão, o órgão deve seguir recomendações de instituições internacionais, incluindo ONU (Organização das Nações Unidas), OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Banco Mundial, FMI (Fundo Monetário Internacional) e Eurostat. Ainda não há uma data confirmada para a divulgação da atualização.

O setor de contas nacionais passa por período de transição no IBGE com a troca de pesquisadores.
“O PIB não é o total da riqueza existente em um país. Esse é um equívoco muito comum, pois dá a sensação de que o PIB seria um estoque de valor que existe na economia, como uma espécie de tesouro nacional”, diz o instituto em seu site.

“Na realidade, o PIB é um indicador de fluxo de novos bens e serviços finais produzidos durante um período. Se um país não produzir nada em um ano, o seu PIB será nulo”, acrescenta.

O órgão ainda aponta que o indicador ajuda a compreender um país, mas não expressa importantes fatores, como distribuição de renda, qualidade de vida e acesso a educação e saúde.

“Um país tanto pode ter um PIB pequeno e ostentar um altíssimo padrão de vida, como registrar um PIB alto e apresentar um padrão de vida relativamente baixo.”

T LB

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