Quarta-feira, 04/03/26

Irã sinaliza levar guerra “ao limite” após míssil chegar à Turquia

Irã sinaliza levar guerra “ao limite” após míssil chegar à Turquia
Irã sinaliza levar guerra “ao limite” após míssil chegar à – Reprodução

Um míssil lançado pelo Irã foi abatido pela Turquia nesta quarta-feira (4), em um incidente que analistas interpretam como sinal de que Teerã está disposto a levar o conflito no Oriente Médio ao limite. O projétil cruzou os espaços aéreos do Iraque e da Síria antes de ser interceptado por baterias antiaéreas da Otan, sem causar vítimas.

O Ministério da Defesa da Turquia emitiu nota condenando o episódio e afirmando que o país se reserva o direito de responder a qualquer hostilidade. Ancara instou todas as partes a evitarem ações que agravem o conflito regional e informou que consultará a Otan e aliados. Como membro da aliança, a Turquia poderia arrastar outros países para o confronto, segundo o professor de relações internacionais Danny Zahreddine, da PUC de Minas Gerais.

Zahreddine, oficial de reserva do Exército brasileiro e especialista em Oriente Médio, descreve a ação iraniana como uma estratégia de ‘brinkmanship’, ou ‘bailar à beira do abismo’, para demonstrar aos adversários, como Estados Unidos e Israel, os riscos de uma guerra que saia do controle. Ele destaca que o Irã atacou bases americanas em 12 países do Golfo e agora envolve a Turquia, que havia apoiado esforços para conter a escalada.

O Irã ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente. A Turquia, vizinha do país, condenou previamente as agressões de Israel e EUA contra Teerã, com o presidente Tayyip Erdogan classificando-as como violação do direito internacional e da soberania iraniana.

Analistas apontam tensões adicionais envolvendo grupos curdos. Imprensa americana relata, com base em fontes anônimas, que a CIA planeja armar separatistas curdos no Irã para combater o governo de Teerã. Essa etnia, presente em Turquia, Irã, Iraque e Síria, busca em alguns casos a criação de um Curdistão independente, o que irritaria Ancara, opositora dessa autodeterminação.

O oficial de reserva da Marinha brasileira Robinson Farinazzo alerta que tal apoio poderia comprometer os interesses turcos, criando incertezas sobre a reação de Erdogan, aliado dos EUA na Otan. Zahreddine considera isso um ‘plano B’ de Washington e Tel Aviv para desestabilizar o regime iraniano, mas ressalta a falta de unidade entre os curdos e os riscos históricos de abandono por potências ocidentais.

Recentemente, o Irã atacou posições de grupos curdos no norte do Iraque e em seu território para dissuadi-los de ações contra Teerã. O especialista observa que, no atual contexto de luto pela morte de Khamenei e com aparato de segurança leal, opositores internos enfrentam dificuldades para se mobilizar em meio à agressão estrangeira.

Apesar do superior poderio militar de EUA e Israel, analistas como Farinazzo e Zahreddine avaliam que o tempo favorece o Irã em uma guerra prolongada, similar a um ‘Vietnã’ para os americanos. O país demonstra resistência surpreendente após a guerra de 12 dias em junho de 2025, com produção de cerca de 150 drones por dia e um arsenal de mísseis balísticos para um conflito longo, questionando sua capacidade de suportar ataques intensos.

T LB

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