Sexta-feira, 06/03/26

País vê recorde de feminicídios em meio à queda de homicídios totais de mulheres; entenda motivos

País vê recorde de feminicídios em meio à queda de homicídios totais de mulheres; entenda motivos
País vê recorde de feminicídios em meio à queda de – Reprodução

‘Sinto o choro de todas’, diz mãe de Tainara, atropelada e arrastada por 1 km em SP

“Os feminicídios expressam essa face mais extrema da violência de gênero. Eles estão fortemente ligados a relações íntimas, controle, possessividade e histórico de violência doméstica. São dinâmicas muito menos sensíveis às políticas tradicionais de segurança pública, geralmente voltadas para o contexto público da violência urbana”, explica Matosinhos.

Outros indicadores de violência de gênero também demonstram esse padrão abusivo contra as mulheres. Registros de ameaça, perseguição, violência psicológica, lesões corporais no contexto doméstico, estupros e descumprimento de medidas protetivas se mantêm em patamar elevado nas cidades brasileiras, o que evidencia, para a especialista do Fórum, que a alta de feminicídios não se trata só de melhoria de notificação.

A advogada Ganzarolli reforça que o feminicídio não deve ser lido como sinônimo de “crime doméstico”.

“O fator primordial é o gênero”, afirma. “A lei abrange tanto o contexto de violência doméstica e familiar quanto o homicídio motivado por menosprezo ou discriminação à condição de mulher —e isso pode ocorrer fora do ambiente doméstico.”

Para Matosinhos, essa estabilidade elevada indica falhas na prevenção. “Os dados mostram que muitos homicídios acontecem após uma escalada previsível de agressões, frequentemente mesmo quando há medidas protetivas. Isso revela falhas na proteção, no monitoramento de agressores, na avaliação de risco e na integração da rede de atendimento. O feminicídio é, via de regra, um crime evitável.”

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *