Sábado, 07/03/26

Desde 2021, MPE monitora mais de 300 casos de violência política contra mulheres no Brasil

Desde 2021, MPE monitora mais de 300 casos de violência política contra mulheres no Brasil
Desde 2021, MPE monitora mais de 300 casos de violência – Reprodução

Brasília, 06 – O Ministério Público Eleitoral (MPE) informou que acompanha mais de 300 casos de violência política contra mulheres no Brasil desde 2021 e que cerca de 50 denúncias já foram apresentadas à Justiça pedindo a punição de agressores. A informação foi publicada no portal oficial do órgão nesta sexta-feira, 6.

Segundo o MPE, grande parte dos casos envolve ataques e ofensas feitos pela internet ou nas redes sociais, além de ameaças à família ou à cassação de mandato, ataques ao corpo ou à sexualidade. Ainda de acordo com o órgão, o objetivo dessas práticas é deslegitimar, silenciar e excluir mulheres do espaço político.

A coordenadora do Grupo de Trabalho (GT) de Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero do MPE, Raquel Branquinho, afirma que os desafios para avançar nessa pauta refletem problemas estruturais da sociedade, historicamente baseada na figura do patriarcado e do homem no papel de liderança.

“As mulheres são vítimas de condutas violentas que desqualificam seu corpo e ameaçam sua família, o que acaba afastando várias lideranças do meio político. Elas não se sentem seguras para atuar com liberdade e, com isso, a democracia também é agredida”, alertou Branquinho.

Uma lei aprovada em 2021 passou a considerar crime eleitoral a violência política contra as mulheres. São condutas praticadas contra candidatas e detentoras de mandato eletivo que buscam dificultar ou impedir o exercício de suas funções políticas. Isso inclui não apenas agressões físicas, mas também xingamentos, ameaças, constrangimento, assédio, falta de apoio financeiro para campanhas e limitação do tempo de propaganda eleitoral, entre outras práticas.

A pena para quem comete o crime é de um a quatro anos de prisão, além de multa. Branquinho explica que a norma criou um sistema jurídico de proteção às mulheres, mas ainda precisa de melhorias, como a inclusão de pré-candidatas, ocupantes de cargos públicos, lideranças partidárias e de movimentos sociais, entre outros grupos que também são alvos frequentes de agressões no meio político.

Apesar da aprovação da lei, o MPE afirma que condutas agressivas ainda são um dos principais obstáculos à maior participação feminina em espaços de poder e decisão. Os desafios e soluções para prevenir esse crime e punir agressores, sobretudo em ano eleitoral, foram tema de uma capacitação promovida pelo GT do MPE realizada nesta semana.

Estadão Conteúdo 

T LB

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