Sábado, 07/03/26

Pesquisa do Dieese aponta precariedade de 12 mil ambulantes em São Paulo

Pesquisa do Dieese aponta precariedade de 12 mil ambulantes em São Paulo
Pesquisa do Dieese aponta precariedade de 12 mil ambulantes em – Reprodução

Uma pesquisa inédita do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) identificou 12.671 trabalhadores ambulantes em 12.377 bancas fixas na cidade de São Paulo. O levantamento, apresentado em coletiva nesta sexta-feira (6), destaca as condições precárias enfrentadas por esses profissionais, que lidam com informalidade, longas jornadas e rendas menores que a média da capital.

De acordo com o estudo, grande parte dos ambulantes trabalha sem autorização da prefeitura, enfrenta burocracia para obter permissões e depende exclusivamente dessa atividade para sobreviver. Oito em cada dez entrevistados afirmaram que a profissão é sua única fonte de renda, e 73% pretendem permanecer nela, apesar das dificuldades.

Demograficamente, 63% são homens, com 40% na faixa etária de 31 a 50 anos. Quanto à cor ou raça, 53% se declararam pretos ou pardos, 34% brancos e 10% indígenas. Quase um terço (31%) dos trabalhadores são imigrantes de 30 nacionalidades diferentes, principalmente da América do Sul, como venezuelanos e peruanos, e enfrentam maior precariedade.

Em termos de situação laboral, 76% são proprietários das bancas, 15% empregados sem carteira assinada, 2% formais e 6% familiares dos proprietários. Metade exerce a função há menos de cinco anos, enquanto 47,8% ultrapassam esse período, incluindo 15% com mais de 21 anos na atividade, indicando que se trata de um ofício de médio e longo prazo.

Apenas 39% possuem permissão da prefeitura para trabalhar em seus pontos, enquanto 56% atuam sem autorização. Desses, 80% manifestaram interesse em regularizar a situação, mas citam altos custos, burocracia e escassez de pontos como obstáculos.

As jornadas de trabalho são extensas: 44% excedem as 44 horas semanais, limite legal, com quase 30% ultrapassando 51 horas, contrastando com 26% da população ocupada em geral na cidade. A renda média dos ambulantes é de R$ 3 mil, o que equivale a 56% da média municipal de R$ 5.323,04.

As mercadorias mais vendidas incluem roupas (55%), alimentos preparados para consumo imediato (14%), eletrônicos (5,4%), bebidas (4,8%), alimentos industrializados (4,5%), livros, jornais e revistas (4,5%), bolsas e carteiras (4,4%) e bijuterias (4%).

O mapeamento foi realizado em julho e agosto de 2023, em 70 áreas de grande concentração de ambulantes na capital, como pontos de transporte público, unidades de saúde e parques, com entrevistas de 2.772 trabalhadores em pontos fixos.

Com informações da Agência Brasil

T LB

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