Programa Provid oferece proteção a mulheres no DF
O Programa de Prevenção Orientado à Violência Doméstica e Familiar (Provid), da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), oferece atendimento especializado a mulheres em situação de violência doméstica grave. A iniciativa, que atua em todo o DF, foca na prevenção de reincidências e feminicídios por meio de visitas solidárias, acompanhamento de medidas protetivas e articulação com a rede de proteção.
Relato de uma sobrevivente
Por mais de 20 anos, a babá Rosineide da Costa Almeida, 37, conviveu com agressões físicas e psicológicas do ex-marido. A rotina de violência terminou em 31 de janeiro de 2023, quando ela registrou a primeira ocorrência policial. Naquele momento, sua trajetória começou a mudar ao ser encaminhada ao Provid, não tendo mais contato com o agressor.
O episódio decisivo ocorreu quando o agressor a perseguiu no dia de seu aniversário, por não aceitar o fim do relacionamento. O homem tentou agredi-la em casa e a seguiu até um restaurante em Taguatinga. “Ele foi me seguindo de casa até o lugar, jogava o carro para tentar me tirar da pista”, lembra ela. “Foi desesperador. Quando chegamos à QNL, minha filha pulou do carro pedindo socorro. Eu achei que ia morrer.”
Após o registro da ocorrência, Rosineide conseguiu uma medida protetiva e foi integrada à rede de atendimento do Provid, com acompanhamento psicológico, suporte social e monitoramento policial. Ela recebeu o Dispositivo de Acionamento de Emergência Viva Flor e passou a ter visitas frequentes das equipes. “Eles não estão 24 horas na minha casa, mas me protegem 24 horas. No começo, eu sentia medo até do barulho da viatura. Depois, aquele som virou sinal de segurança”, afirma.
“Hoje, me sinto protegida, como se estivesse dentro de uma bolha de segurança”, celebra. “Queria que toda mulher tivesse a oportunidade que eu tive. Muitas morrem porque não sabem que existe tanta ajuda. Não é só um papel. Funciona. Salvou a minha vida.”
Atendimento especializado e preventivo
Desde 2019, o Provid já atendeu aproximadamente 115 mil mulheres. No ano passado, foram realizadas 25.565 visitas solidárias, 391 ações de prevenção e articulação, 2.095 triagens e 1.832 visitas. No período, 1.164 famílias foram acompanhadas de forma contínua e 883 medidas protetivas de urgência receberam monitoramento direto da PMDF. Em 2025, o enfrentamento foi reforçado com a aquisição de 27 viaturas.
A iniciativa está presente em 22 batalhões da PMDF, oferecendo suporte a todas as regiões administrativas. De acordo com a tenente-coronel Renata Cardoso, coordenadora-geral do programa, o diferencial é o atendimento humanizado e individualizado. “É um policiamento especializado, feito por policiais capacitados, que avaliam o risco de cada caso e constroem, junto com a mulher, um plano de segurança”, explica. Em 2025, 32 policiais militares concluíram a formação específica.
Durante as visitas, as equipes elaboram um plano de segurança individualizado com orientações práticas, como rotinas mais seguras, cuidados com a casa, trajetos alternativos e estratégias para emergências.
Atuação integrada e como funciona
A política atua de forma integrada com outros serviços, como o Copom Mulher, inaugurado em 2024, e a Diretoria de Monitoramento de Pessoas Protegidas (DMPP), responsável pelo Viva Flor e pelo monitoramento de agressores. “Aqui no DF, a medida protetiva é expedida com muita rapidez, muitas vezes em poucas horas. Além disso, a mulher pode solicitar recursos como o Viva Flor e o acompanhamento do Provid, mesmo sem determinação judicial específica. São ferramentas que salvam vidas”, reforça a tenente-coronel.
O acesso ao Provid pode ocorrer por encaminhamento judicial após avaliação de risco, por demanda espontânea da mulher em um batalhão da PM, ou através do Copom Mulher, que pode ser acionado pelo 190 em uma situação de violência.
Canais de atendimento à mulher
- O telefone 180 é o canal geral de atendimento às mulheres vítimas de violência, também utilizado para denúncia por terceiros.
- Atos de violência em andamento e urgentes devem ser comunicados à PMDF pelo 190.
- Para denúncias anônimas, o canal da Polícia Civil (PCDF) é o 197.








