Segunda-feira, 09/03/26

Esquerda prevalece em eleição legislativa na Colômbia em termômetro para pleito presidencial

Esquerda prevalece em eleição legislativa na Colômbia em termômetro para pleito presidencial
Esquerda prevalece em eleição legislativa na Colômbia em termômetro para – Reprodução

DOUGLAS GAVRAS
FOLHAPRESS

Contrariando os resultados de eleições recentes na região, a esquerda, liderada pelo presidente Gustavo Petro, se impôs na corrida legislativa deste domingo (9) na Colômbia, mostrando-se competitiva para a disputa da Presidência, em 31 de maio.

Com quase a totalidade dos votos apurados, o Pacto Histórico, partido de Petro, obteve a maioria no Senado e se manterá como uma das principais forças na Câmara dos Deputados, onde será necessário formar alianças para ter a maioria.

Com quase 99% das apurações concluídas, a esquerda se fortaleceu, seguindo o êxito das eleições de 2022, que trouxeram Petro ao poder como o primeiro presidente ex-guerrilheiro do país. Pela Constituição colombiana, o atual presidente não pode buscar um novo mandato.

Os colombianos renovaram as 103 cadeiras no Senado e as 183 cadeiras na Câmara dos Representantes para o período de 2026 a 2030, em um sistema eleitoral que combina circunscrições nacionais, territoriais e especiais.

De acordo com os dados preliminares, que ainda serão confirmados pela autoridade eleitoral, o Pacto Histórico conquistou 25 cadeiras (22,7%) no Senado para a próxima legislatura, que começa em 20 de julho, ou seja, quatro cadeiras a mais do que alcançou em 2022, ano em que Petro venceu a Presidência.

Em seguida, aparecem como principais forças: Centro Democrático (15,6%, com 17 vagas), Partido Liberal Colombiano (11,7%, com 13) e, Aliança pela Colômbia (9,8%, com 11).

O ex-presidente Álvaro Uribe, que chegou a ser condenado no ano passado, mas foi absolvido meses depois, ocupava a 25ª posição na lista do Centro Democrático para o Senado e não conseguiu se eleger.

Na Câmara, o cenário é mais favorável para a centro-direita, ainda que nenhuma força tenha conquistado a maioria, com o Centro Democrático com 13,53% dos votos, seguido pelo Partido Liberal Colombiano (11,13%) e o Partido Conservador (10,4%). O Pacto Histórico obteve 4,8%, sendo a quarta força mais votada.

Um relatório da organização Directorio Legislativo, que acompanha processos democráticos na América Latina, aponta que a fragmentação legislativa deve continuar, levando o próximo presidente a negociar com outros partidos para aprovar leis.

A instituição lembra que o governo de Petro enfrentou dificuldades, com apenas 2 de suas 15 propostas de reformas aprovadas no último ano, e previa um fortalecimento da candidatura de esquerda, com uma reação do governo nos próximos meses.

“O governo poderia acelerar medidas econômicas, como o aumento do salário mínimo, e promover projetos mais radicais, como a reforma constitucional”, aponta a organização.

O domingo também serviu para definir três primárias em candidaturas às eleições presidenciais. Paloma Valencia (Centro Democrático), Roy Barreras (Frente pela Vida) e Claudia López (Imparáveis). Agora, há um total de 16 candidatos à Presidência.

As eleições legislativas indicam o clima político antes da eleição presidencial, com Iván Cepeda do Pacto Histórico e Abelardo de la Espriella, da ultradireita, como principais candidatos. As pesquisas hoje apontam para um segundo turno entre eles, em 21 de junho.

Além de ser senador, Cepeda é conhecido por suas negociações de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e defesa dos direitos humanos. Ele defende o diálogo para resolver o conflito armado, aumento do salário mínimo e distribuição de terras.

De la Espriella tem uma plataforma de segurança e combate à corrupção, defendendo a livre iniciativa. Ele é chamado de “o tigre” -como o argentino Javier Milei se apresenta como “leão”-, usa um discurso patriótico e elogia Donald Trump e o salvadorenho Nayib Bukele.

Embora os favoritos para a eleição presidencial já tinham suas candidaturas definidas, os resultados da consulta legislativa são considerados decisivos para moldar alianças e lideranças na fase anterior à eleição presidencial.

Cepeda expressou otimismo com os resultados de domingo, enquanto de la Espriella considerou a vitória da esquerda no Congresso como preocupante.

“Hoje começa nosso segundo tempo, com um banco forte e comprometido iniciaremos uma nova fase de transformações”, disse Cepeda, ao comemorar o desempenho da esquerda.

De la Espriella lamentou que a esquerda tenha ficado com “a maior bancada do Congresso”. “Isso é muito grave”, disse.

A Colômbia vive um processo eleitoral conturbado, e observadores apontaram atos de violência contra líderes políticos, incluindo o assassinato no ano passado do senador Miguel Uribe, um pré-candidato da direita.

Os resultados das eleições devem afetar os últimos meses de mandato de Petro, e Cepeda já disse que pretende continuar as reformas que o atual governo não conseguiu devido à perda de apoio no Congresso, onde uma proposta de reforma no sistema de saúde e uma mudança tributária foram barradas.

A oposição, por sua vez, critica Petro pelos números de violência e pela falta de enfrentamento com o narcotráfico. O atual presidente também colecionou atritos com Trump ao longo do seu mandato, apesar de ter sido recebido por ele na Casa Branca no mês passado.

T LB

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