Terça-feira, 10/03/26

China cria ‘Projeto Manhattan’ dos chips e pega o mundo de surpresa

China cria 'Projeto Manhattan' dos chips e pega o mundo de surpresa
China cria ‘Projeto Manhattan’ dos chips e pega o mundo – Reprodução

Chineses rivalizam com norte-americanos em pesquisa, patentes e modelos de IA, mas esbarram na infraestrutura: chips e GPUs avançados são produzidos por empresas norte-americanas, o que vira um gargalo quando a Casa Branca decide impor restrições de exportação.

Até agora, o avanço chinês em semicondutores estava empacado em um ponto. A Nvidia desenha chips, mas não fabrica, pois a produção fica com a taiwanesa TSMC. Para chegar aos processos mais avançados, entra a máquina de EUV, que grava circuitos mil vezes mais finos do que um fio de cabelo e é feita pela empresa holandesa ASML.

Durante anos, os EUA impediram os europeus de venderem o equipamento sofisticado aos chineses. Isso levou o mercado a especular que a China estaria pelo menos cinco anos atrasada em semicondutores. Mas o país não ficou parado.

De uma forma silenciosa, a China colocou em operação uma forma de conseguir construir sua própria máquina, de chegar nessa máquina de litografia ultravioleta extrema. Eles fizeram várias coisas: contratar pesquisadores chineses que estavam trabalhando nessas empresas e levar de volta para a China; investir pesado em pesquisa e desenvolvimento; e contrabandear peças pra fazer engenharia reversa. O fato é que no fim do ano passado, fim de 2025, surge a questão de que a China conseguiu chegar na máquina de litografia ultravioleta extrema.
Diogo Cortiz

Envolto em sigilo industrial, o “Projeto Manhattan chinês” reproduz a lógica de corrida tecnológica entre potências. Naquela época, a disputa era entre EUA e Alemanha, logo substituída pela União Soviética -que, aliás, descobriu detalhes do Projeto Manhattan original por meio de um espião e construiu sua própria bomba atômica anos depois. Agora, os EUA se acotovelam com a China.

O avanço chinês bagunça previsões e pressiona a corrida por hegemonia em IA, com um objetivo explícito de autossuficiência até 2030, diz Cortiz. Se hoje o país ainda não tem os chips mais avançados, ainda assim fortalece sua indústria local e reduz dependências.


T LB

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