Terça-feira, 10/03/26

Do império de Abilio Diniz à recuperação extrajudicial: veja a cronologia do GPA

Do império de Abilio Diniz à recuperação extrajudicial: veja a cronologia do GPA
Do império de Abilio Diniz à recuperação extrajudicial: veja a – Reprodução

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta terça-feira (10). A empresa, que ocupa a quinta posição no ranking das maiores redes do varejo alimentar do país, tenta renegociar dívidas com bancos enquanto busca preservar as operações e o relacionamento com fornecedores.

A companhia, que começou como um pequeno negócio familiar em São Paulo, vinha alertando o mercado desde fevereiro sobre dificuldades financeiras e sobre a necessidade de alongar compromissos de curto prazo.

Veja a história do GPA, da fundação ao pedido de recuperação extrajudicial.

1948: INÍCIO DO GRUPO PÃO DE AÇÚCAR

– O imigrante português Valentim Diniz abre a Doceira Pão de Açúcar, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, na região central de São Paulo

– O nome foi dado por Diniz como uma forma de homenagem ao Brasil e faz referência ao famoso ponto turístico morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro

1959: LOJA NÚMERO 1

– Abilio Diniz, filho do fundador, inspirado por modelos europeus e americanos, transforma a doceria familiar no primeiro supermercado da rede

– No final da década, o GPA soma mais de 60 lojas em 17 cidades

1976: JUMBO ELETRO

– Durante a década de 1970, Abílio assume o protagonismo na expansão da empresa, que comprou redes regionais e concorrentes menores para ampliar presença em diferentes mercados

– Em 1971, é lançado o Jumbo, o primeiro hipermercado do Grande ABC paulista

– Em 1976, o GPA adquire a Eletroradiobraz, rede varejista de eletrodomésticos. A compra marca a entrada do grupo no segmento eletro e cria a famosa rede de lojas Jumbo Eletro

– No final da década, o GPA lança ainda mercearias com o conceito de poucos produtos e preços mais competitivos e adquire redes como SuperBom, Peg-Pag e Mercantil

1989: EXTRA

– O Grupo Pão de Açúcar lança a bandeira Extra para o formato de hipermercados

– O modelo reune em grandes lojas a venda de alimentos, eletrodomésticos, eletrônicos, roupas e outros produtos, seguindo uma estratégia inspirada em redes internacionais e voltada para consumidores que buscam fazer todas compras em um único local

– A nova bandeira se torna um dos principais vetores de expansão do grupo nos anos seguintes e consolida a presença do GPA no varejo brasileiro

– Sua forte concorrência no varejo leva o GPA a criar, em 1993, a primeira ouvidoria do segmento

1995: BOLSA DE VALORES

– O Grupo Pão de Açúcar abre capital e passa a ter ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo

– A listagem amplia o acesso do grupo a capital para financiar a abertura de lojas, aquisições e a consolidação das diferentes bandeiras do varejista no país

1996: CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO DE 800 MIL M²

– O GPA inaugura o segundo maior depósito do mundo, atrás somente do da Coca-Cola em Atlanta, nos Estados Unidos

– Com cerca de 800 mil m², o centro de distribuição do grupo faz parte da estratégia de Diniz para dar maior eficiência na distribuição de produtos e sustentar o avanço da rede em diferentes regiões do país

1999: ENTRADA DO GRUPO CASINO

– O grupo francês Casino adquire 25% de participação do Grupo Pão de Açúcar

– O acordo prevê a ampliação gradual da presença do grupo francês no capital da empresa e traz novos recursos para financiar a expansão da rede no Brasil

ANOS 2000: DIVERSIFICAÇÃO
– O Grupo Pão de Açúcar passa a investir em estratégias de fidelização, com a criação do programa Pão de Açúcar Mais e o site Amelia.com.br, e na ampliação de serviços

– O grupo entra, em 2002, no segmento de drogarias, com a abertura das duas primeiras lojas Drogaria Extra dentro de seus hipermercados

– Em 2004, o GPA abre o primeiro posto de gasolina no estacionamento do Extra de Mogi das Cruzes

– Em 2007, se associa ao Assaí Atacadista para atuar no crescente segmento de autoserviço

– Em 2009, o Grupo Pão de Açúcar se une às Casas Bahia e cria o maior grupo de varejo do Brasil

2011: BRIGA ENTRE SÓCIOS

– Diniz tenta reorganizar o controle do Grupo Pão de Açúcar e desencadeia um dos maiores conflitos societários do varejo brasileiro

– A tentativa mais famosa ocorre em 2011, quando o empresário tenta articular a fusão do GPA com o Carrefour

– A proposta enfrenta oposição do Casino, então detentor do acordo que previa assumir o controle da empresa nos anos seguintes

2012: CASINO NO CONTROLE

– Conforme acordo firmado anos antes com Abilio Diniz, o grupo francês Casino assume em 2012 o controle do Grupo Pão de Açúcar

– A operação consolida o varejista europeu como um dos maiores grupos de varejo da América Latina
– A mudança marca a saída de Abilio Diniz da gestão do grupo

2013: SAÍDA DE ABILIO DINIZ

– Abilio Diniz deixa definitivamente o conselho do Grupo Pão de Açúcar, encerrando décadas de liderança da família na empresa fundada por seu pai

– O empresário chega a afirmar, anos depois, que a disputa com o Casino foi seu maior erro

2019: REORGANIZAÇÃO DO GRUPO

– O Grupo Pão de Açúcar inicia uma reorganização de seus negócios, separando as operações de atacarejo do restante da companhia

– A companhia vende a totalidade de sua participação na Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio) para focar o segmento de alimentos

2020: O NOVO MERCADO

– O Assaí Atacadista, braço de atacarejo do Grupo Pão de Açúcar, passa a ter ações negociadas na B3

– O grupo conclui o processo de migração das ações para o segmento da B3 Novo Mercado, levando o capital social da empresa negociado em Bolsa a ser composto somente por ações com direito a voto, as chamadas ações ordinárias (ON)

2021: VENDA DE LOJAS

– O grupo decide deixar o segmento de hipermercados e vende as 70 lojas do Extra Hiper para a rede Assaí

– O GPA foca bandeiras premium e na liderança da venda de alimentos online por meio de Mercado Livre e iFood

– No ano seguinte, o GPA vende o Assaí para um fundo imobiliário

2023: SAÍDA DO CASINO

– Mais de uma década após assumir o comando, o Casino deixa de ser controlador da empresa

– A saída ocorre em meio à reorganização do varejista francês e abre espaço para mudanças na estrutura acionária do GPA

2025: FAMÍLIA COELHO DINIZ SE TORNA PRINCIPAL ACIONISTA

– Em agosto a família mineira Coelho Diniz passa a deter 24,6% do capital do GPA, tornando-se a principal acionista

– O grupo controla uma rede de supermercados com o mesmo nome no leste de Minas Gerais

– Apesar do sobrenome, a família não tem ligação com os Diniz fundadores do Pão de Açúcar

2026: NOVA TROCA NO COMANDO

– Em janeiro, Alexandre Santoro é eleito CEO da companhia

– No balanço do quarto trimestre de 2025, divulgado em fevereiro, a empresa afirma haver “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional”

– O grupo registra capital circulante líquido negativo de R$ 1,2 bilhão ao final do ano passado, em grande parte devido a empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 que somam R$ 1,7 bilhão

– A companhia também informa prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre

MARÇO DE 2026: PEDIDO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

– No início de março, a agência Fitch Ratings rebaixa a nota de crédito do GPA de “A” para “CCC”, indicando risco elevado de inadimplência

– A Fitch cita risco de refinanciamento, deterioração da liquidez e expectativa de fluxo de caixa livre negativo caso a empresa não reduza seu endividamento.

– No dia seguinte ao rebaixamento, o GPA envia carta a fornecedores afirmando que as negociações em curso envolviam apenas credores financeiros

– O documento afirma que não há atraso em pagamentos a parceiros comerciais e que as operações seguiam normalmente; ainda assim, o mercado reage com cautela

– Nesta terça (10), a empresa apresenta pedido de recuperação extrajudicial para renegociar suas dívidas financeiras

– O grupo soma cerca de R$ 4 bilhões em endividamento total e possui R$ 1,7 bilhão em compromissos com vencimento em 2026

– O balanço também aponta cerca de R$ 16 bilhões em disputas tributárias classificadas como “perdas possíveis”, que não estão provisionadas

T LB

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