Quarta-feira, 11/03/26

Irã diz ter atacado com drones centro militar e de inteligência de Israel

Irã ameaça e diz que ainda não usou suas armas mais sofisticadas em guerra
Irã ameaça e diz que ainda não usou suas armas – Reprodução

UOL/FOLHAPRESS

O exército da República Islâmica do Irã afirmou ter atacado um centro militar e um centro de inteligência de Israel nesta terça-feira (10).

Exército iraniano informou que os ataques foram realizados com drones equipados. “Os drones atingiram um centro militar em Haifa e um centro de recepção de informações de satélites espiões”, informou por meio de um comunicado divulgado pela agência estatal Tasmin.

Centro militar atingido é “fundamental” na produção de armas israelenses, disse o Irã. Segundo a República Islâmica, o local “tem grande importância estratégica para fortalecer as capacidades de combate do inimigo”, em referência a Israel. Até o momento, não há relatos de vítimas.

Conflito travado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã está em seu décimo primeiro dia. Ambos os países seguem com posturas beligerantes e ataques mútuos, que já deixaram centenas de mortos -a maior parte no Irã.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que hoje “será o dia mais intenso de ataques”. Em entrevista, ele afirmou que “o maior número de caças, o maior número de bombardeiros e o maior número de ataques” serão realizados contra Teerã, com um serviço de “inteligência mais refinado e melhor do que nunca”.

Hegseth ressaltou que os interesses dos EUA permanecem os mesmos. O secretário destacou que a Casa Branca deseja destruir os estoques de mísseis do Irã, além de sua indústria de defesa; destruir a Marinha iraniana e impedir que a República Islâmica consiga produzir armas nucleares.

Trump dará a palavra final para o conflito, afirmou Hegseth. “Nossa determinação é infinita, mas, no fim das contas, cabe ao presidente determinar o estado final desses objetivos”, completou o secretário.

EUA estão em conflito contra o Irã desde o final de fevereiro. Ao lado de Israel, o país lançou ofensiva militar em Teerã que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. O segundo filho dele, Mojtaba Khamenei, foi eleito para sucedê-lo.

Apesar de aliados, EUA e Israel têm divergido sobre um prazo para o fim dos ataques. De um lado, Trump disse ontem que o conflito com o Irã “está praticamente encerrado”. “[O Irã] não tem marinha, não tem comunicações, não tem força aérea. Seus mísseis estão dispersos. Seus drones estão sendo destruídos por toda parte, inclusive suas fábricas de drones”, acrescentou o republicano.

Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o conflito ainda não acabou.

“Ainda não terminamos”, disse ele em declaração divulgada em comunicado após uma visita ao Centro Nacional de Comando de Saúde.

Netanyahu afirmou que Israel segue mirando a liderança clerical iraniana e disse que o objetivo é enfraquecê-la. “Com as medidas tomadas até agora, estamos quebrando os ossos deles e ainda não terminamos”, falou.

Trump admitiu que pode sentar para negociar com o Irã. À Fox News, o republicano disse ser “possível” que ele esteja disposto a conversar com o regime iraniano em busca de uma solução para o conflito.

Autoridades iranianas reagiram às falas de Trump e ao avanço da ofensiva com ameaças e promessas de manter o confronto. Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, escreveu que o povo iraniano “não teme as ameaças vazias” e advertiu Trump: “tome cuidado para que o eliminado não seja você mesmo”.

Fala de Larijani foi em resposta à ameaça de Trump, que prometeu atacar o Irã com ainda mais força caso o bloqueio ao fluxo de petróleo no Golfo se mantenha. Ontem, Trump afirmou que, se a República Islâmica não parar com o bloqueio ao Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo, as consequências “serão graves” ao regime.

Além de Larijani, outras lideranças do Irã também ignoraram as advertências dos EUA sobre o bloqueio ao Estreito de Hormuz. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou hoje que “nenhum litro de petróleo” do Golfo será exportado enquanto prosseguirem os ataques de EUA e Israel ao país.

Abbas disse ainda que o Irã “está preparado” para manter o conflito. “Estamos preparados para continuar os ataques com mísseis pelo tempo que for necessário e sempre que for necessário”, falou ao canal americano PBS News.

Guarda Revolucionária também contestou a avaliação de Trump de que o conflito estaria perto do fim e disse que o Irã vai determinar quando ele termina. O porta-voz Ali Mohammad Naini afirmou que Trump tenta impor “pressão psicológica” com “mentira e engano” e declarou que o Irã seguirá “de pé contra as agressões dos EUA e de Israel”.

O Estreito de Hormuz continua no centro da disputa, com impacto direto no fluxo de petróleo e na navegação comercial. Trump ameaçou intensificar os ataques caso o bloqueio iraniano ao estreito – por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo – continue.

Bloqueio ao Estreito de Hormuz tem provocado abalos na economia mundial. Desde o início dos ataques, o Irã tem barrado o fluxo na região, o que levou Trump a ameaçar se apossar do controle da rota marítima importantíssima para o mercado energético mundial.

Desdobramentos ampliam temores sobre o impacto na economia global. Diante da perspectiva de que os preços do petróleo permaneçam elevados por um longo período sem o arrefecimento do conflito surgem as preocupações econômicas a respeito do conflito. Os principais riscos envolvem uma onda inflacionária e a desaceleração de crescimento dos países.

T LB

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