Quarta-feira, 11/03/26

Engenheira formada pela UEG entra para lista das 50 mulheres mais influentes da tecnologia na Noruega

Engenheira formada pela UEG entra para lista das 50 mulheres mais influentes da tecnologia na Noruega
Engenheira formada pela UEG entra para lista das 50 mulheres – Reprodução

A engenheira civil Carla Ferreira, de 41 anos, formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e criada em Anápolis, foi incluída na lista “Norges 50 fremste tech-kvinner 2026”, que reúne as 50 mulheres mais influentes do setor de tecnologia na Noruega. A premiação ocorreu no dia 6 de março e faz parte de uma iniciativa voltada à valorização de mulheres na área e ao incentivo de novas gerações nas carreiras de tecnologia e ciências exatas.

“Vejo esse reconhecimento também como uma oportunidade de inspirar estudantes, especialmente mulheres, a se aproximarem das áreas de ciência, engenharia e tecnologia, mostrando que trajetórias internacionais e atuação em áreas avançadas podem começar com a formação em universidades públicas brasileiras”, afirma Carla.

A seleção é organizada pela Abelia, uma associação da Confederação das Empresas da Noruega para empresas de conhecimento e tecnologia, e pela ODA-nettverk, principal rede nórdica dedicada à diversidade na área de tecnologia.

Trajetória

Natural de Tucuruí, no Pará, Carla cresceu em Anápolis, onde concluiu o curso de Engenharia Civil pela UEG em 2006. Após a graduação, ingressou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde realizou mestrado na área de infraestrutura. Durante esse período, desenvolveu pesquisas com geossintéticos aplicados à construção de rodovias, voltadas ao aumento da durabilidade das estradas.

Após o mestrado, passou a atuar na construtora Camargo Corrêa, participando de projetos de grande porte na área de infraestrutura, incluindo barragens, túneis e pontes ligados a empreendimentos de energia e transporte. Segundo Carla, a experiência também teve um significado pessoal, já que seu pai trabalhou na construção da usina hidrelétrica de Tucuruí.

“De certa forma, trabalhar em grandes projetos de infraestrutura foi também uma forma de continuar uma história familiar ligada ao desenvolvimento do setor de energia no Brasil”, explica.

Durante esse período, iniciou um doutorado em Engenharia de Petróleo, motivada pelo interesse em inovação e tecnologias aplicadas ao setor energético. A pesquisa marcou sua entrada no campo da modelagem matemática, simulação e análise de dados voltadas à indústria de óleo e gás.

Em 2014, com a crise internacional do petróleo, Carla decidiu ampliar sua atuação para áreas com aplicações mais abrangentes. Durante o doutorado, realizou um período de pesquisa na Universidade de Durham, na Inglaterra, onde aprofundou estudos em ferramentas estatísticas e técnicas que hoje fazem parte do universo da inteligência artificial.

Após concluir o doutorado, atuou como pesquisadora no Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolvendo projetos em parceria com empresas do setor energético. Posteriormente, retornou à Universidade de Durham para realizar um pós-doutorado voltado à análise estatística aplicada à simulação de reservatórios de petróleo.

Carreira internacional

Foi durante o período de pós-doutorado que Carla enfrentou um dos momentos mais desafiadores da carreira. No início dessa fase, mudou-se sozinha para a Inglaterra com o filho, que na época tinha apenas dois anos.

“Era um país novo, sem rede de apoio e com todos os desafios de adaptação, tanto para mim quanto para ele. Foi um período intenso, mas também muito transformador. Depois meu esposo também se mudou para lá e conseguimos construir essa nova fase juntos”, relata.

Chegada a Noruega

Ao final do pós-doutorado, em 2020, surgiu a oportunidade de trabalhar na empresa DNV, na Noruega. Inicialmente, sua atuação estava ligada ao uso de métodos quantitativos aplicados à indústria de óleo e gás. Com o avanço das tecnologias digitais, o foco de seu trabalho passou a incluir a avaliação de riscos e confiabilidade de sistemas baseados em inteligência artificial.

Atualmente, Carla lidera na DNV a equipe AI Risk and Assurance Science, dedicada ao desenvolvimento de métodos para avaliar riscos e garantir a segurança de sistemas de inteligência artificial aplicados a infraestruturas críticas, como energia, transporte e sistemas industriais.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *