Quinta-feira, 12/03/26

Agência mundial de energia aprova liberação de 400 milhões de barris de petróleo em sua maior ação na história

Agência mundial de energia aprova liberação de 400 milhões de barris de petróleo em sua maior ação na história
Agência mundial de energia aprova liberação de 400 milhões de – Reprodução

A AIE (Agência Internacional de Energia) informou que os 32 países que integram o órgão aceitaram liberar 400 milhões de barris de petróleo, o maior movimento desse tipo na história da organização, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira (11). A medida visa conter a alta dos preços do petróleo em meio à guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã.

A agência disse que a medida foi aprovada por unanimidade e que o cronograma será definido por cada país, de acordo com as suas possibilidades. O Brasil não está entre os 32 países membros da AIE.

Segundo pessoas ouvidas pela agência de notícias Reuters, a liberação seria espaçada por pelo menos dois meses, enquanto a ministra de Energia da Espanha afirmou que os países terão até 90 dias para liberar esse volume. O jornal The New York Times estimou que os 400 milhões de barris equivalem a quatro dias da demanda global.

Em 2022, os países membros da AIE liberaram 182,7 milhões de barris em dois meses, o que foi o maior da história da AIE, quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala na Ucrânia.

“Eu diria que é a maior proposta da história da Agência Internacional de Energia”, comentou Sara Aagesen, ministra de Energia da Espanha.

“Durante a guerra na Ucrânia, eles estavam falando em liberar cerca de 182 milhões de barris, e agora é uma quantidade que é mais do que o dobro da proposta deles”, avaliou. Os governos do Japão e da Alemanha divulgaram que vão liberar 40 milhões de barris e 19,5 milhões de barris, respectivamente.

O secretário de Interior dos EUA, Doug Burgum, afirmou que a decisão da AIE ocorre em um momento oportuno. “Não temos uma escassez de energia no mundo, mas um problema de transporte marítimo, que é momentâneo. Por isso, é o momento perfeito para pensar em liberar essas reservas”, afirmou em entrevista à emissora Fox News.

O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, afirma que a medida é importante, mas que a preocupação com o fornecimento do petróleo só cessará com a liberação do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. “O mais importante para o retorno a fluxos estáveis de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo estreito de Hormuz”, declarou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a intenção é organizar o cronograma de liberação do petróleo nos próximos dias. Segundo ele, a França deve repassar 14,7 milhões de barris e que precisará de algumas semanas para definir a logística para o transporte da carga.

As economias ocidentais coordenam seus estoques estratégicos de petróleo por meio da AIE, que foi criada após a crise do petróleo da década de 1970. O órgão estima que os 32 países-membros devem ter uma reserva de 1,2 bilhão de barris de petróleo.

“Em princípio, apoiamos a implementação de medidas proativas para lidar com a situação, incluindo o uso de reservas estratégicas”, comunicaram os ministros de Finanças do G7 na última segunda-feira (9) após uma reunião virtual.

Uma pessoa do G7 disse à Reuters que, embora nenhum país enfrente atualmente uma escassez física de petróleo bruto, os preços estão subindo drasticamente e deixar a situação sem supervisão não é uma opção.

No entanto, qualquer liberação real não pode começar imediatamente porque as decisões sobre aspectos como alocações de países e cronograma exigem mais discussões, declarou essa pessoa.

O governo do Canadá afirmou que solicitará às empresas petrolíferas do país que liberem parte de suas reservas para apoiar o plano da AIE. “Estamos fazendo a nossa parte do mundo, mas podemos fazer mais. Podemos aumentar a produção ao máximo por breves períodos”, comentou o ministro de Energia, Tim Hodgson.

T LB

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