O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) promoveu, nesta quarta-feira, 11 de março, um talk show sobre transformação digital e inteligência artificial em prática, com o título homônimo ao de um livro lançado pela corte no final de 2024.
A iniciativa, organizada pela Escola de Formação Judiciária Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro (EjuDFT), foi aberta pelo presidente do TJDFT, desembargador Waldir Leôncio Júnior. Em sua fala, ele destacou o significado do evento, ligado diretamente à publicação que reúne experiências concretas e aplicações de IA no tribunal, abordando benefícios, limitações e cuidados necessários para melhorar a prestação jurisdicional.
O debate contou com a participação dos juízes Flávio Augusto Leite e Pedro Matos de Arruda, do assessor Edson Alves Gouveia e de Luis Otávio Schneider, assessor do desembargador Alfeu Machado. A moderação ficou a cargo de Luiz Fernando Sirotheau, secretário de Tecnologia da Informação do TJDFT e editor do livro.
Os discussões foram divididas em quatro blocos: quebra de paradigmas e gestão da mudança; ganhos de produtividade; regulamentação da IA generativa, com foco em governança, ética e segurança; e perspectivas futuras.
Sirotheau enfatizou a importância do controle da IA, citando a Resolução 615/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que exige declaração do uso de IA em decisões judiciais ou produções textuais. Ele mencionou que o livro declara explicitamente o emprego de ferramentas como o Copilot para formatação e geração de imagens, sem inventar informações.
Luis Otávio Schneider falou sobre a ética e a regulamentação, destacando que os tribunais devem informar o uso de IA em seus sites, especialmente ferramentas como o Copilot, que garante conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e controle sobre dados sigilosos.
Edson Gouveia ressaltou a necessidade de verificação humana para evitar erros, descrevendo a implementação gradual da IA, com tarefas simples evoluindo metodologicamente para maior eficiência e gestão de riscos.
O juiz Flávio Leite discutiu o rápido avanço da IA, impulsionado por empresas como OpenAI, e a necessidade de repensar o processo eletrônico, comparando o modelo atual a estruturas medievais baseadas em processos orais.
Pedro Matos de Arruda compartilhou sua experiência positiva com o Copilot, integrado ao Teams para transcrições de audiências e resumos de pontos controversos, permitindo análise focada sem depender da memória. Ele vem estudando IA desde novembro de 2024, usando-a para execução de tarefas enquanto reserva a mente para análise.
Sirotheau anunciou novidades, como o ODIN GPT para refinar metadados e melhorar o acesso à informação, com projeto piloto em expansão para integrar ferramentas ao sistema PJe, envolvendo todos os magistrados.
Ao final, o presidente entregou certificados de autoria do livro aos participantes e agradeceu a contribuição de todos, descrevendo o evento como enriquecedor para o tribunal.
Com informações do TJDFT








