O padre Júlio Lancellotti participou nesta quinta-feira (12) do programa Alô Alô Brasil, na Rádio Nacional, onde conversou com o apresentador José Luiz Datena sobre a tentativa da prefeitura de São Paulo de fechar o Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, no Belenzinho, Zona Leste da cidade.
O centro, fundado pelo padre há 36 anos sob o Viaduto Guadalajara durante a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, é gerido atualmente pelo Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto. Em convênio com a prefeitura, o local atende diariamente cerca de 400 refeições à população em situação de rua.
No início de março, a prefeitura anunciou o fechamento do núcleo como parte de um processo de requalificação da rede socioassistencial. A administração municipal informou que os frequentadores seriam realocados para outro local e não ficariam sem atendimento alimentar. Na última sexta-feira (6), o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para investigar o caso e cobrou explicações da prefeitura.
Após grande reação pública, a Secretaria Municipal de Assistência Social comunicou na quarta-feira (11) o cancelamento da notificação de fechamento, solicitando novas informações e promovendo um aperfeiçoamento dos serviços prestados pelo centro.
Durante a entrevista, o padre Júlio enfatizou a importância de considerar as individualidades das pessoas atendidas, afirmando que a população de rua não pode ser tratada apenas como números. Questionado sobre possível influência da especulação imobiliária na área valorizada do Belenzinho, Lancellotti relacionou o episódio à Campanha da Fraternidade deste ano, que aborda a moradia como um dos problemas mais graves nas realidades urbanas de São Paulo e das grandes capitais brasileiras.
O sacerdote revelou ter conversado recentemente com o prefeito Ricardo Nunes, a quem disse que ‘quem governa São Paulo é o mercado imobiliário, é a especulação imobiliária’. Ele criticou o Plano Diretor e as autorizações na Câmara Municipal, que, segundo ele, privilegiam grandes condomínios em detrimento de moradias acessíveis.
Com informações da Agência Brasil








