Sábado, 14/03/26

Lenda do jiu-jitsu, Bia Mesquita migra para o UFC e almeja cinturão

Lenda do jiu-jitsu, Bia Mesquita migra para o UFC e almeja cinturão
Lenda do jiu-jitsu, Bia Mesquita migra para o UFC e – Reprodução

Se a luta vai para o chão, o desfecho é quase certo. Decacampeã mundial de jiu-jitsu e uma das maiores lendas vivas da modalidade, Bia Mesquita decidiu sair da sua zona de conforto e migrou para o MMA. Aos 34 anos, a carioca ostenta um cartel impecável: seis lutas e seis vitórias, provando que sua adaptação às artes marciais mistas é um sucesso absoluto.

Após estrar com vitória no UFC Rio em 2025, a brasileira agora mira o seu segundo triunfo na organização. O próximo desafio será contra a mexicana Montserrat Rendon, neste sábado (14/3), a partir das 19h (horário de Brasília), em Las Vegas.

Em entrevista ao Metrópoles Esportes, Bia relembrou sua trajetória vitoriosa e analisou o futuro na organização. Sobre o embate deste final de semana, a lutadora destacou o tempo de camp e as características da adversária:

“O diferencial (do jiu-jitsu) para as lutas do UFC é o tempo de treino. Recebi a oferta dessa luta com mais de 10 semanas, então é um tempo muito bom para me preparar. O mais interessante desse combate é que a Montserrat luta os três rounds, o que é completamente o oposto das minhas lutas. As seis vitórias que eu tenho são por finalização, mas estou preparada, a estratégia não muda”, disse Bia Mesquita.

A trajetória de Bia no UFC começou em grande estilo. Lutando em sua cidade natal, a “Lady Goat” não deu chances para a russa Irina Alekseeva, encerrando o combate com um mata-leão ainda no segundo round, o que lhe rendeu o bônus de “Performance da Noite”.

“Vai ser difícil de superar a minha estreia. Estar no Rio, na minha cidade, com a minha família e amigos torcendo de perto e da forma como foi, uma luta bem dominante, consegui colocar tudo o que eu treinei em prática e finalizei logo no segundo round. Consegui o bônus de performance logo na minha estreia, então a minha estreia, no Rio de Janeiro, da forma como foi, nem nos meus melhores sonhos iria imaginar isso”, relembrou.

A transição para o MMA, mesmo após uma carreira consolidada e repleta de títulos no jiu-jitsu, foi movida pelo desejo de evolução e novos desafios. Para Bia, o octógono trouxe de volta a adrenalina do novo.

“O que mais me motivou foi em ir para o mundo do MMA foi essa sensação do desconhecido, de me desafiar, de descobrir até onde eu posso ir. Fiz uma carreira impecável no jiu-jitsu, ganhei os maiores eventos, todos os que eu lutei tive apresentações muito boas. Então essa sensação do algo novo eu já tinha experimentado em todas essas fases no jiu-jitsu e eu queria algo novo, então a decisão mais óbvia era o MMA”.

1 de 4Reprodução / Instagram @biamesquitajj
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“Queria sentir esse fogo de ver o novo, como vai ser a minha primeira luta, ai depois construir o meu cartel na LFA. Tive lutas incríveis, a sensação de entrar no cage e entender que ali era pra sair na mão, isso foi o que me fez migrar”.

A disciplina marcial começou cedo, aos cinco anos. O esporte serviu como refúgio durante a ausência do pai, que viajava a trabalho para Angola em uma missão, e como uma forma de canalizar a energia da infância.

“Eu comecei muito cedo, muito novinha, com cinco anos de idade eu fiz a minha primeira aula. Eu tenho um irmão mais velho que era terrorista, então as mães do condomínio incentivava a gente a fazer as aulas de jiu-jitsu. O que mais me motivou a fazer foi ver outras meninas lá. Na época, meu pai estava em uma missão em Angola, então essa atividade também foi muito bom pra gente não sentir tanta falta”, apontou.

Mesmo em um ambiente majoritariamente masculino, Bia contou com o apoio incondicional da família para desafiar as estatísticas.

“O jiu-jitsu é um esporte potencialmente masculino, mas meus pais acreditaram em meu potencial desde o começo. Minha primeira competição foi com seis anos, já aconteceu de fazer duas competições no mesmo final de semana. Eu questionava eles pelo motivo de acreditar que uma menina, no Brasil, seria uma lutadora de sucesso. Na matemática realista, é uma conta de muito pouco percentual de sucesso”, apontou a lutadora.

“Fui para o mundial pela primeira vez com 15 anos, nos Estados Unidos e aquilo abriu o meu mundo. O esporte me proporcionou algo que nenhum dos meus parentes tinha feito. Estava conhecendo uma cultura diferente e ver o resultado que aquilo poderia proporcionar para a minha vida foi o que me fez querer aquilo para a minha vida”, acrescentou.

Com 100% de aproveitamento via finalização em seu cartel, Bia Mesquita entra no cage com uma estratégia clara, embora esteja aprimorando sua trocação. O objetivo para sábado é manter a tradição e, quem sabe, surpreender com um nocaute, mas o foco principal continua sendo o chão.

“Sem sombra de dúvidas quero finalizar, é o básico que tem dado certo. Claro que se vier um nocaute não vai ser uma surpresa, tenho melhorado muito a minha trocação e esse é o meu objetivo, ser uma atleta completa, mas com certeza o objetivo não muda. Quero dar um arm lock no primeiro round”, projetou Mesquita.

Ao finalizar, a brasileira mandou um recado direto para Montserrat Rendon:

Vou mostrar pra ela que o Brasil não é bagunça. Ela venceu a Aline Pereira em uma luta muito boa, foi decisão dividida. Acho que o meu diferencial é o meu jiu-jitsu afiado e vou buscar mais uma finalização”, disparou a brasileira.

“Montserrat, se prepara que estou indo para te pegar e te finalizar”, finalizou.

No UFC Fight Night Las Vegas, além do combate entre Bia Mesquita x Montserrat Rendon, acontecem também as seguintes lutas:

  • Piera Rodriguez x Sam Hughes (peso palha feminino)
  • Luan Lacerda x Hecher Sosa (peso galo)
  • Brad Teveres x Eryk Anders (peso médio)
  • Bolaji Oki x Manoel Sousa (peso leve)
  • Elijah Smith x Suyoung You (peso galo)
  • Vitor Petrino x Steven Asplund (peso pesado)
  • Chris Curtis x Myjtybek Orolbai (peso meio-médio)
  • Charles Johson x Bruno Silva (peso meio-pesado)
  • Ion Cutelaba x Oumar Sy (peso meio-pesado)
  • Marwan Rahiki x Harry Hardwick (peso pena)
  • Andre Fili x Jose Miguel Delgado (peso pena)
  • Amanda Lemos x Gillian Robertson (peso palha feminino)
  • Josh Emmett x Kevin Vallejos (peso pena – luta principal)

 


T LB

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