Sábado, 14/03/26

Brasil debate violência contra mulheres na cúpula da ONU

Brasil debate violência contra mulheres na cúpula da ONU
Brasil debate violência contra mulheres na cúpula da ONU – Reprodução

O Brasil participa da 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher das Nações Unidas (CSW70), a maior reunião anual da ONU sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres, com foco no combate à violência contra mulheres no país. O evento, realizado em Nova York até 19 de março, reúne altos representantes da ONU, Estados-membros, ONGs, ativistas, jovens e o setor privado.

A coordenadora-geral da organização brasileira Criola, Lúcia Xavier, que está em Nova York para o evento, avalia que a participação demonstra esforço público na discussão do tema. Ela destaca a importância de articular governo e sociedade para enfrentar o problema, além de construir um marco legal.

“Certamente esses marcos [legais] já estão postos [no Brasil], desde a construção da Lei Maria da Penha e, depois, a Lei do Feminicídio. Mas, na prática, ainda não tomaram pé na sociedade. Ainda não tem uma sociedade refletindo, criando processos de proteção social, enfrentando o debate do patriarcado e do machismo”, disse a especialista, ressaltando os altos índices de feminicídio e violência sexual.

As discussões no âmbito do evento mundial contribuem para o desenvolvimento de medidas e mecanismos de enfrentamento ao problema no país. Lúcia alerta que a violência contra mulheres é mais do que uma epidemia: “É um crime que vem sendo praticado com muita impunidade e com pouco reforço dos órgãos públicos, no sentido do controle social. É um prejuízo enorme para as mulheres, que já vivem a situação de vulnerabilidade e também de insegurança nos seus relacionamentos, no seu trabalho, na sua vida como um todo”.

Em meio às negociações, propostas dos Estados Unidos que representariam retrocessos no documento final da conferência foram barradas durante a plenária que aprovou o texto. Alguns temas questionados pelos EUA referiam-se ao direito ao aborto, à identidade de gênero e ao uso do termo “interseccionalidade”. “Isso fez com que, em algum momento, a gente imaginasse que o documento perderia a qualidade e alguns avanços muito importantes. Não vai ser um documento de consenso, mas a primeira votação não aceitou as indicações [trazidas pelos Estados Unidos]”, contou Lúcia. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

T LB

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