O governo federal contratou, nesta quarta-feira (18), 19 GW (gigawatts) de energia térmica e hidráulica para abastecer o sistema elétrico do país em momentos de falta de energia, principalmente no início das noites, quando as placas solares param de funcionar e a demanda por energia cresce. A contratação aconteceu durante o leilão de reserva de capacidade, o maior deste ano no setor.
Do total contratado, 16,5 GW virá de termelétricas movidas a gás natural e carvão mineral e 2,5 GW de hidrelétricas. Entre as termelétricas, haverá contratação de novas usinas e existentes e entre as hidrelétricas toda geração virá da ampliação de plantas existentes -o percentual de novas e existentes deve ser divulgado nas próximas horas pelo governo.
O investimento total esperado com as obras do leilão é de R$ 64,5 bilhões. Por outro lado, a contratação desse montante de energia vai gerar uma despesa de R$ 515,7 bilhões aos consumidores de energia enquanto os contratos estiverem em vigência -cerca de R$ 39 bilhões por ano.
A contratação foi muito acima da previsão de especialistas, que dias antes do certame esperavam compras entre 5 GW e 10 GW. Em comparação, o montante contratado equivale a 1,4 vez a capacidade instalada da usina de Itaipu.
O deságio médio do leilão foi de 5,52%, abaixo dos 15,34% do último leilão de reserva de capacidade, organizado em 2021. A queda, segundo analistas, pode ter sido ocasionada pelo formato do leilão, dividido entre muitas fontes, o que tende a diminuir a concorrência.
O primeiro suprimento começará em agosto deste ano, por meio de termelétricas já existentes. A partir daí, a cada ano até 2031, mais energia térmica será incluída na rede elétrica do país, sendo que de 2028 a 2031 a eletricidade gerada poderá vir também de novas termelétricas movidas a gás natural. Já no caso de hidrelétricas, a entrega será em 2030 e 2031, por meio de usinas já existentes e com capacidade de ampliação. O fornecimento das térmicas será de dez anos, e o das hidrelétricas, de 15 anos.
Entre as principais empresas vencedoras estão a Eneva, ligada ao banco BTG Pactual, e a Petrobras.
O leilão desta quarta é considerado fundamental para a segurança do sistema elétrico do país, sistema que hoje vive excesso de geração em alguns períodos do dia e falta em outros. A energia contratada visa preencher a falta de energia. Como térmicas não dependem de condições meteorológicas para gerar energia, elas são tratadas como fontes que dão segurança à rede elétrica.
Após o certame, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, celebrou o resultado. “Fizemos o maior leilão de térmicas da história desse país; é um leilão que garante, além de segurança energética, modicidade tarifária porque quando não temos parque térmico contratado dependemos de contratar de forma merchant e emergencial, como aconteceu em 2021”, disse. Naquele ano, o governo precisou acionar termelétricas sem contrato em meio a uma das piores secas do século.
Nos últimos meses, o leilão de reserva de capacidade foi alvo de várias discussões, inclusive judiciais. A competição aconteceria em junho do ano passado, mas contestações de empresas interessadas fizeram o governo federal adiar o leilão em abril.
A polêmica mais recente veio no mês passado, quando o Ministério de Minas e Energia divulgou os preços-teto para contratação das térmicas a gás natural. Na ocasião, analistas consideraram os valores bem abaixo dos praticados no mercado, o que fez as ações de empresas do setor despencarem e trouxe dúvidas sobre a competição do certame.
O governo precisou recuar e três dias depois aumentou os preços -em alguns casos, até duplicou. A reviravolta chamou atenção do TCU (Tribunal de Contas da União), que identificou fragilidades metodológicas nos preços finais, mas optou por não remarcar a data.
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