Segunda-feira, 23/03/26

Mulheres são as que mais recorrem às denúncias internas em empresas

Mulheres são as que mais recorrem às denúncias internas em empresas
Mulheres são as que mais recorrem às denúncias internas em – Reprodução

As empresas no Brasil vêm registrando um aumento anual no uso de canais para denúncias internas desde 2017, alcançando um volume recorde de registros no ano passado. Em 2025, as denúncias corporativas chegaram à média de 9,8 relatos mensais a cada 1 mil profissionais. Há cerca de dez anos, essa proporção era de 3,5.

As informações são da nova edição da “Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias”, elaborada pela empresa de tecnologia Be Aliant.

O mapeamento leva em conta informações anônimas de uma base de denúncias de mais de 650 empresas clientes.

A elevação constante das denúncias se dá, primordialmente, por uma mudança de cultura no ambiente corporativo, com a queda da naturalização de práticas abusivas, diz o cofundador da Be Aliant, Mauricio Fiss. Segundo ele, nos últimos anos, as equipes têm tido mais consciência de seus direitos e do que pode ou não ser tolerado em um ambiente de trabalho.

Ainda de acordo com Fiss, o aumento gradual não se trata necessariamente de uma maior ocorrência de desvios comportamentais, mas de um maior espaço para que as denúncias sejam feitas. Isso ocorre porque o risco reputacional cresce quando casos de assédio, por exemplo, são colocados a público, indicando a possibilidade de conivência da empresa.

Denunciantes

O estudo mostra que houve mudanças no perfil dos denunciantes. Considerando a série histórica, mulheres passaram a ser a maioria entre os usuários dos canais de denúncias desde 2023. Em 2025, elas foram autoras de 53,6% das denúncias corporativas. Líderes e gestores são os perfis mais denunciados em todas as edições da pesquisa.

O levantamento também indica o número de denúncias por setor. Entre os destaques que estão acima da média nacional de 9,8, estão os segmentos de serviços médicos (16,5), mineração (16,1), comércio varejista (15,2) e serviços financeiros (14,7).

A maior parte das queixas corporativas procedentes (62,4%) resultou em medidas educativas ou preventivas, como feedbacks, melhorias de processos e treinamentos. Em segundo lugar (18,9%), ficaram as ocorrências de medidas graves impostas aos denunciados. Nesses casos, as sanções envolveram demissão com e sem justa causa e rescisão contratual dos denunciados.

Fiss afirma que, para que todo o processo de uso dos canais de denúncia ocorra de forma segurança, com apuração justa e punição do denunciado, é necessário que haja um ambiente favorável para os profissionais, que evite o perigo de retaliações.

Uma das boas práticas recomendadas é a de ter uma área independente de apuração e a garantia do anonimato do denunciante.

Estadão Conteúdo

T LB

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