Quarta-feira, 25/03/26

Senasp lança diagnóstico para elevar elucidação de homicídios em encontro em Curitiba

Senasp lança diagnóstico para elevar elucidação de homicídios em encontro em Curitiba
Senasp lança diagnóstico para elevar elucidação de homicídios em encontro – Reprodução

Curitiba, 24 de março de 2026 – A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), realiza de 23 a 27 de março o 5º Encontro Técnico dos Chefes dos Departamentos de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPPs), em parceria com a Escola Superior da Polícia Civil do Paraná (ESPC-PR). O evento também marca a abertura da 23ª edição do Curso Básico de Investigação de Homicídios, em Curitiba (PR).

O encontro reúne 77 participantes de 26 Unidades da Federação, entre gestores, técnicos e profissionais em formação. O objetivo é alinhar estratégias para ampliar a elucidação de crimes contra a vida. Na abertura, participaram a diretora do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), Isabel Figueiredo; o diretor de Operações Integradas e de Inteligência, José Anchieta Nery Neto; o diretor de Gestão e Integração de Informações, Joaquim Carvalho Filho; além de autoridades estaduais e representantes das polícias civis.

A diretora do Susp destacou a importância de fortalecer a investigação de homicídios para reduzir a violência, ressaltando a qualificação profissional, a integração entre instituições e a padronização de procedimentos. ‘Estamos diante de um ponto de inflexão nas políticas públicas sobre homicídios, em que as ações do Governo Federal e dos estados convergem de forma positiva’, afirmou.

O encontro marca o lançamento do 2º Diagnóstico das Unidades Especializadas de Homicídios, que analisa a estrutura, o funcionamento e a capacidade operacional dessas unidades no País. Segundo o coordenador-geral do Susp, Márcio Mattos, o levantamento aponta desafios como déficit de efetivo na maioria dos estados, equipes reduzidas e baixa participação de peritos. Também indica falhas na padronização de procedimentos — apenas sete estados adotam protocolos obrigatórios — e concentração das unidades nas capitais e regiões metropolitanas.

Na área de informação, todas as unidades possuem setores de estatística, mas os sistemas são fragmentados, dificultando a integração de dados e a produção de indicadores nacionais. A cooperação entre instituições ocorre, em grande parte, de forma informal. O diagnóstico aponta ainda lacunas na investigação de desaparecimentos: em 17 Unidades da Federação, esses casos ficam sob responsabilidade das delegacias de homicídios, com modelos distintos e cobertura limitada, sobretudo para crianças e adolescentes.

Os dados refletem o cenário: em média, 43% dos inquéritos não têm autoria definida, com variação de 9,7% a 80,1%. A taxa média de elucidação de homicídios é de 46,8%, e o tempo de investigação varia de dois a 27 meses. A escassez de pessoal é um dos principais entraves, com equipes geralmente formadas por dois a cinco profissionais, baixa presença de peritos, falta de critérios técnicos na seleção e limitações na capacitação continuada.

Apesar de experiências pontuais, a cooperação entre estados ainda é insuficiente e não há um modelo nacional estruturado. A baixa elucidação aumenta a sensação de impunidade, incentiva a reincidência e prolonga o sofrimento de familiares das vítimas.

Diante desse quadro, o diagnóstico recomenda a adoção de protocolos unificados, integração dos sistemas de dados, investimento em pessoal e tecnologia, fortalecimento da cooperação entre instituições e criação de indicadores nacionais padronizados.

Entre 2023 e 2025, mais de mil profissionais foram capacitados, com investimento superior a R$ 5,3 milhões. No período, foram entregues 125 viaturas para reforçar as unidades especializadas. Para o Governo Federal, a resposta envolve governança, capacitação, reequipagem e padronização, incluindo a criação de uma rede nacional de DHPPs, ampliação de cursos especializados e uso de ferramentas como o Sinesp-CAD.

Para 2026, estão previstas novas capacitações e estudos sobre o tempo de tramitação das investigações. A expectativa é que o encontro consolide diretrizes nacionais e transforme diagnósticos em ações, com foco na melhoria da investigação e no aumento da solução de crimes letais.

*Com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública

T LB

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