Sexta-feira, 27/03/26

ANP cria trava para proteger Petrobras em programa de subsídio ao diesel

ANP cria trava para proteger Petrobras em programa de subsídio ao diesel
ANP cria trava para proteger Petrobras em programa de subsídio – Reprodução

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) criou uma “trava” para proteger a Petrobras no programa de subvenção ao diesel criado pelo governo para enfrentar a alta do petróleo provocada pela guerra no Irã.

As regras do programa foram aprovadas em reunião de diretoria da agência nesta sexta-feira (27). Nela foi definida uma fórmula para atualizar os preços-teto estipulados pelo governo para conceder a subvenção de R$ 0,32 por litro.

Era uma decisão aguardada pelo mercado, já que a fórmula dá maior previsibilidade para as importações futuras de diesel. A incerteza em relação aos preços tem afastado importadores e gerado risco para o abastecimento nacional.

Essa fórmula vai atualizar diariamente, com base na variação das cotações internacionais do diesel, a tabela de preços anunciada na semana passada pelo MME (Ministério de Minas e Energia) como os valores máximos de venda para quem quiser receber o subsídio.

Vai usar não apenas a cotação dos Estados Unidos, como na subvenção do governo Michel Temer, em 2018, mas também um indicador que use a cotação do resto do mundo, já que hoje grande parte da importação brasileira vem da Rússia.

São dois preços, um para diesel importado, mais próximo das cotações internacionais, e outro para o diesel produzido com petróleo nacional —ou seja, da Petrobras—, mais próximo dos preços que a estatal praticava quando a subvenção foi criada, há duas semanas.

A regra aprovada institui um mecanismo especial para o preço do diesel nacional, que funcionará como uma “trava” para proteger a Petrobras em caso de queda abrupta do preço do petróleo, segundo o diretor-geral da ANP, Artur Watt.

Ela cria um piso de preço para o diesel nacional, que é equivalente ao valor estabelecido na tabela do ministério. O piso é válido enquanto o preço do diesel importado estiver acima da cotação anterior à guerra. Segundo Watt, isso evita que a Petrobras seja obrigada a reduzir seus preços em caso de queda abrupta do petróleo.

“Não queremos interferir na política de preços da empresa”, afirmou Watt, que votou a favor da proposta ao lado dos diretores Daniel Maia e Fernando Moura. Os diretores Pietro Mendes e Symone Araújo votaram contra.

Esses últimos também questionaram parte da proposta aprovada, que prevê a realização de consulta pública para debater a fórmula com o mercado. Mendes e Araújo defendem que esse debate sinaliza que a fórmula pode receber alterações e, por isso, gera incerteza.

“O mercado clama por essa subvenção e é nosso dever decidir”, disse a diretora. “Me sinto completamente desconfortável de adiar essa decisão por uma consulta pública. Parece o adiamento da implementação da subvenção.”

A consulta pública será realizada em um prazo de cinco dias e, na visão dos diretores que votaram a favor, é importante para garantir a participação popular na decisão.

T LB

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