Domingo, 29/03/26

GDF intensifica conscientização masculina para combater violência doméstica

GDF intensifica conscientização masculina para combater violência doméstica
GDF fortalece conscientização masculina no enfrentamento à violência doméstica – Reprodução

O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria da Mulher, tem intensificado políticas públicas voltadas ao público masculino como estratégia de prevenção à violência doméstica. Com o Programa de Prevenção à Violência Doméstica (PPV) e a Assessoria Especial de Políticas Públicas para Homens (Assesph), a pasta promove ações educativas em ambientes majoritariamente masculinos, como canteiros de obras, empresas e órgãos públicos.

Entre outubro de 2024, quando o PPV foi criado, e novembro de 2025, as iniciativas alcançaram 8.269 pessoas em todas as regiões administrativas do Distrito Federal. O trabalho foca homens adultos e jovens de 15 a 21 anos, com debates, oficinas e distribuição de materiais informativos para abordar temas como a Lei Maria da Penha, masculinidades, saúde emocional e cultura de paz.

Envolvimento masculino no combate à violência doméstica

Homens na conversa

A criação da assessoria específica para homens é considerada um marco institucional para a mudança de comportamento e promoção da igualdade de gênero no DF. De acordo com a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, envolver os homens é essencial para uma solução efetiva.

“A Secretaria da Mulher tem trabalhado de forma estratégica para envolver os homens na prevenção à violência. O PPV e a criação da Assessoria de Políticas Públicas para Homens reforçam que o enfrentamento à violência contra as mulheres é uma responsabilidade de toda a sociedade. Promover reflexão, informação e mudança de comportamento é fundamental para construirmos relações mais respeitosas e uma cultura de paz no Distrito Federal”, explicou a secretária.

Informação e acolhimento

As ações da secretaria são promovidas em parceria com os órgãos do GDF e envolvem servidores e colaboradores no ambiente de trabalho. O topógrafo do SLU Douglas Oliveira da Costa, de 30 anos, conta que as palestras foram fundamentais para esclarecer conceitos. “Foi bastante informativo e tirou muitas dúvidas sobre o que é assédio, por exemplo. Tem muito tabu entre os homens. Com as informações a gente consegue refletir mais. Como vivemos muito no ‘automático’, essas ações nos fazem observar melhor nossas atitudes”, refletiu.

O operador de máquinas do SLU, Jhadyson Junio do Nascimento Silva, de 26 anos, também ressaltou o impacto positivo de discutir o tema sob a perspectiva masculina. “Foi bom porque nos fez pensar muito. Sou casado, tenho uma filha, e o tema foi trazido justamente na visão dos homens”, destacou, ao relembrar que as discussões foram conduzidas por um homem.

“Foi importante um homem ter trazido essas informações por esse lado. No nosso ambiente de trabalho, onde há poucas mulheres, os pontos tratados nos ajudam a ser mais tranquilos no dia a dia”, completou.

Conscientização

O operador de telemarketing do BRB Serviços, Douglas Alves Nunes, de 33 anos, reforçou a necessidade de levar o debate para dentro das empresas. “O feminicídio está em alta no país e essa conscientização, quanto mais for explorada em empresas e em todos os locais, é muito valorosa. As palestras são valiosas para os homens que não sabem como agir e acabam usando a força em vez de buscar apoio. Nada justifica a violência”, pontuou.

O também operador de telemarketing do BRB Serviços Victor Hugo Gonçalves de Morais, de 21 anos, destaca que o impacto das orientações ultrapassa o ambiente corporativo e chega às famílias de quem participa das ações.

“As palestras são importantes não só no meio corporativo, mas fora, no dia a dia, no ambiente familiar. No meu caso, tem sido mais na parte familiar mesmo, de conscientizar o pessoal e conversar com eles sobre os temas”, explicou Victor Hugo. “É um assunto muito forte, porque é difícil conscientizar os homens hoje em dia. Geralmente, eles têm a cabeça mais dura”, concluiu.

As ações do PPV e da Assesph são contínuas e também se integram a campanhas como o Novembro Azul, momento em que o debate sobre a saúde integral do homem é conectado ao autocuidado e à prevenção da violência.

T LB

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