Quando essa IA ganha pernas, braços e começa a correr livremente por aí, a coisa se inverte, porque quem está na frente, quem está muito na frente, é a China. Hoje em dia, 9 de cada 10 robôs humanoides vendidos no mundo são feitos pela China. As estimativas são que as empresas chinesas vão dobrar a produção em 2026. Um bancão, o Morgan Stanley, estimou que 56% das empresas que fazem robôs humanoides são chinesas. O MIT levantou o panorama: são mais de 140 fabricantes responsáveis por 330 modelos.
Helton Simões Gomes
O país não só domina a fabricação desses robôs como também é líder em vendas, a ponto de abastecer até projetos concorrentes de empresas norte-americanas, como o Optimus, da Tesla. Para Diogo Cortiz, isso cria dependência até para empresas que desenham seus projetos fora do país.
Além de fabricar 9 de cada 10 robôs humanoides do mundo, alguns relatórios colocam que a China é responsável por 63% de todas as produções de artefatos que são usados em robôs humanoides. Então até o robô da Tesla, o Optimus, depende da China na sua cadeia de suprimento. Embora o projeto seja feito nos Estados Unidos, as peças, como sensores, são fabricados na China.
Diogo Cortiz
O impacto da liderança chinesa na robótica vai além da indústria de tecnologia. Pode chegar à economia e ao mercado de trabalho. Um dos sinais, diz, é a expectativa de queda no “custo do trabalho robótico”. Se hoje é em torno de US$ 10 por tarefa, pode cair para US$ 0,25 em uma década.
Além de combinar escala industrial e custos em queda, o avanço na robótica embute um jeito diferente de adotar tecnologia, dadas as diferenças culturais em relação a países ocidentais.
Para Cortiz, sociedades mais coletivistas, caso da chinesa, tendem a incorporar novos artefatos com menos resistência porque o risco é “distribuído”. Ele cita ainda o animismo —a crença de que objetos podem ter “essência vital”— como uma lente comum em países asiáticos.








