Podemos dizer que esses dados são uma versão sociológica do que estudei a partir do cálculo neurótico do gozo. Para Lacan, o gozo é uma espécie de “curto-circuito” da libido: uma subversão da nossa economia racional que atua nas oposições simples entre prazer e desprazer, satisfação e insatisfação.
A ideia de gozo (distante do termo popular para o ápice do prazer sexual) é interessante porque ela desindividualiza a lógica liberal de que agimos sempre para obter o máximo de satisfação com o mínimo de gasto psíquico.
O “mais por menos” funciona bem para liquidações, mas não na vida psíquica. Na economia libidinal, o próprio prazer depende — ou deveria depender — absolutamente da partilha com o prazer do outro.
Isso se torna óbvio quando analisarmos pesquisas sobre prosperidade, segurança e felicidade. Em todos os casos, não basta o ganho ou perda individual; o que importa é a integração desse “superávit” em relação ao estado dos outros.
O gozo não é sobre o seu bem-estar, mas como ele se compara ao dos outros.
Aqui está o truque: a gramática do prazer não é universal, mas cada indivíduo joga com suas próprias regras e sua própria “máquina de calcular” —tecnicamente chamada de fantasia.








