Sexta-feira, 03/04/26

Por que aumento real na renda nem sempre gera fidelidade política

Por que aumento real na renda nem sempre gera fidelidade política
Por que aumento real na renda nem sempre gera fidelidade – Reprodução

Podemos dizer que esses dados são uma versão sociológica do que estudei a partir do cálculo neurótico do gozo. Para Lacan, o gozo é uma espécie de “curto-circuito” da libido: uma subversão da nossa economia racional que atua nas oposições simples entre prazer e desprazer, satisfação e insatisfação.

A ideia de gozo (distante do termo popular para o ápice do prazer sexual) é interessante porque ela desindividualiza a lógica liberal de que agimos sempre para obter o máximo de satisfação com o mínimo de gasto psíquico.

O “mais por menos” funciona bem para liquidações, mas não na vida psíquica. Na economia libidinal, o próprio prazer depende — ou deveria depender — absolutamente da partilha com o prazer do outro.

Isso se torna óbvio quando analisarmos pesquisas sobre prosperidade, segurança e felicidade. Em todos os casos, não basta o ganho ou perda individual; o que importa é a integração desse “superávit” em relação ao estado dos outros.

O gozo não é sobre o seu bem-estar, mas como ele se compara ao dos outros.

Aqui está o truque: a gramática do prazer não é universal, mas cada indivíduo joga com suas próprias regras e sua própria “máquina de calcular” —tecnicamente chamada de fantasia.


T LB

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