Domingo, 05/04/26

Trump se contradiz em conjunto de declarações sobre guerra no Irã

Trump se contradiz em conjunto de declarações sobre guerra no Irã
Trump se contradiz em conjunto de declarações sobre guerra no – Reprodução

Do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, até o mais recente pronunciamento à nação, na quarta-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se contradito ao abordar os objetivos dos ataques, a dimensão dos danos provocados ao país do Oriente Médio, a relação com aliados e as condições e o prazo para o encerramento do conflito.

DESTRUIÇÃO DO IRÃ E FIM DA GUERRA

1º.mar.
Um dia após o ataque dos EUA e de Israel que matou Ali Khamenei, líder supremo do Irã, Trump afirmou que a operação no país do Oriente Médio levaria de quatro a seis semanas.

9.mar.
Em evento com republicanos na Flórida, sem dar prazo, Trump disse que a guerra em Teerã acabaria “bem rápido”. Já vencemos de muitas formas, mas ainda não vencemos o bastante. Seguimos em frente, mais determinados do que nunca a alcançar a vitória definitiva que encerrará esse perigo de longa data de uma vez por todas.”

11.mar.
Trump disse que “praticamente não sobrou nada para atacar” na nação persa e que a ofensiva acabará quando ele “quiser que acabe”. Sem apresentar plano, disse: “A guerra está indo muito bem. Estamos muito à frente na nossa programação. Provocamos mais danos do que pensávamos ser possível”.
No mesmo dia, afirmou que os EUA já haviam vencido o conflito. “Deixe eu dizer uma coisa: nós vencemos. Nunca queremos dizer que ganhamos antes da hora, mas ganhamos. Na primeira hora, a guerra já tinha acabado.”

31.mar.
Trump disse que os ataques militares contra o Irã poderiam ser encerrados dentro de duas ou três semanas. Washington, contrariando o discurso de vitória americana e colapso em Teerã, enviou um porta-aviões e reforçou as tropas na região.

1º.abr.
Questionado pela agência de notícias Reuters sobre quando consideraria a guerra encerrada, Trump respondeu que não poderia dizer exatamente, mas que isso aconteceria “bem rápido”.
Mais tarde, em discurso à nação, disse que o país persa foi “completamente derrotado” em 32 dias, mas não deu previsão de término do conflito e prometeu intensificar os bombardeios nas próximas duas ou três semanas. O americano afirmou que os ataques continuarão até que todos os objetivos -também não esclarecidos por inteiro- sejam “totalmente terminados”.
“A Marinha deles acabou. A Força Aérea deles acabou. Os mísseis deles estão praticamente esgotados ou destruídos”, disse o republicano no pronunciamento.

2.abr.
As declarações de Trump foram rebatidas pelo comandante operacional do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, segundo o qual os centros estratégicos de produção de mísseis, drones de longo alcance e sistemas de defesa aérea da nação não teriam sido destruídos.
“Os locais que vocês acreditam ter atacado são insignificantes, e nossa produção militar estratégica ocorre em regiões que vocês desconhecem completamente e nunca conseguirão alcançar”, disse Al-Anbiya, prometendo ataques mais devastadores contra os EUA.

OBJETIVOS DO CONFLITO E SUCESSÃO EM TEERÃ

28.fev.
Trump justificou o ataque contra o Irã como ação de defesa: “Nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças do regime iraniano. […] Suas atividades ameaçadoras colocam em perigo direto os Estados Unidos, nossas tropas e nossas bases no exterior e nossos aliados pelo mundo. Por 47 anos, o Irã grita morte à América e travou uma campanha interminável de derramamento de sangue e assassinato em massa.”
Ele também citou o bloqueio do desenvolvimento de uma arma nuclear por Teerã: “Sempre foi a política dos EUA, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais possa ter uma arma nuclear. Vou repetir: eles jamais poderão ter uma arma nuclear.”
E pediu que os iranianos assumissem o controle do governo: “Esta será provavelmente a única chance de vocês por gerações. Durante muitos anos, vocês pediram a ajuda da América, mas nunca a receberam. Nenhum presidente esteve disposto a fazer o que eu estou disposto a fazer esta noite. Agora vocês têm um presidente que está lhes dando o que querem, então vamos ver como respondem.”

9.mar.
Trump voltou a justificar a ofensiva contra Teerã como ato de defesa: “Em uma semana eles iriam nos atacar, com 100% de certeza. Eles estavam prontos. Tinham todos esses mísseis, muito mais do que qualquer um imaginava, e iam nos atacar, mas também iam atacar todo o Oriente Médio e Israel”.

1º.abr.
Em pronunciamento nacional, Trump disse que está próximo de alcançar os objetivos na guerra contra o Irã, mencionou o impedimento à construção de uma arma nuclear na nação do Oriente Médio e reafirmou o intuito de defender os EUA como razão do conflito.
O presidente, no entanto, disse que mudar o regime não estava entre os objetivos do ataque israelo-americano, contradizendo sua própria declaração no primeiro dia da guerra: “Nunca falamos em mudança de regime, mas a mudança de regime ocorreu porque todos os seus líderes originais estão mortos. O novo grupo é menos radical e muito mais razoável.”
A fala sobre a administração de Teerã contradiz outro posicionamento do republicano. Em março, ele classificou a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo de “grande erro”, disse não estar contente e sinalizou que pretendia indicar uma pessoa para substituir o filho de Ali Khamenei.

CESSAR-FOGO E NEGOCIAÇÕES

24.mar.
Os EUA, por meio do Paquistão, propõem um plano de 15 pontos para encerrar o conflito e ameaçam intensificar os ataques caso o Irã não o aceitasse. O projeto inclui, segundo funcionários ouvidos pelo jornal The New York Times, os programas nucleares e de mísseis balísticos do país persa, além da liberação de rotas marítimas.
“Enquanto o presidente Trump e seus negociadores exploram essa nova possibilidade de diplomacia, a Operação Fúria Épica continua inabalável para alcançar os objetivos militares estabelecidos pelo comandante-chefe e pelo Pentágono”, disse Karoline Leavitt, secretária de Imprensa da Casa Branca, em comunicado.

31.mar.
Trump disse que Teerã não precisa estabelecer um pacto com Washington para que a guerra termine. “Não, eles não precisam fazer um acordo comigo.”

1º.abr.
Trump disse que Teerã pediu cessar-fogo e que a solicitação só seria considerada quando o estreito de Hormuz fosse reaberto. Em seguida, o Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica disse que a declaração do presidente americano era falsa e sem fundamento.
Mais tarde, ao discursar à nação, logo após afirmar que os novos líderes do regime são “muito mais razoáveis” que os anteriores, Trump ameaçou: “Porém, se durante esse período nenhum acordo for feito, temos os olhos em alvos-chave. Se não houver acordo, vamos atacar cada uma das suas usinas de geração de energia com muita força e, provavelmente, simultaneamente”.

ESTREITO DE HORMUZ E RELAÇÃO COM ALIADOS

31.mar.
Apontando para o Reino Unido e a França, Trump disse que países que não ajudaram os EUA na guerra contra o Irã deveriam comprar petróleo americano ou pegar por conta própria no estreito de Hormuz, bloqueado desde o início dos ataques.
“Vocês vão ter que aprender a lutar por si mesmos. Os EUA não estarão mais lá para ajudar, assim como vocês não estiveram lá por nós. A parte difícil foi feita. Vão buscar o próprio petróleo.”

1º.abr.
O presidente americano, no discurso à nação, reiterou as falas do dia anterior e acrescentou: “Os EUA importam quase nenhum petróleo pelo estreito de Hormuz e não vão importar no futuro. Nunca precisamos. Os países que recebem petróleo pelo estreito de Hormuz precisam cuidar dessa passagem”.
Mais cedo, no entanto, Trump disse estar insatisfeito com a Otan pelo que considera ser uma falta de apoio no conflito com o Irã e ameaçou deixar a aliança militar.
Reportagem do jornal inglês Financial Times mostrou que Trump, ao contrário da mensagem de independência do Oriente Médio e dos aliados europeus que buscou demonstrar no pronunciamento à nação, ameaçou interromper o fornecimento de armas à Ucrânia em março para pressionar aliados da Otan a ajudar na reabertura da passagem.

4.abr.
Diante da continuação do bloqueio, Trump ameaçou o país persa. “Lembre-se de quando eu dei ao Irã dez dias para fazer um acordo ou abrir o estreito de Hormuz. O tempo está se esgotando –faltam 48 horas antes que todo o inferno se abata sobre eles”, escreveu nas redes sociais.

T LB

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