Segunda-feira, 02/03/26

A política só será séria com um parlamento amplamente sério

Sem representantes éticos e comprometidos, a democracia se transforma em palco de interesses e perde a confiança do povo

Sem representantes éticos e comprometidos, a democracia se transforma em palco de interesses e perde a confiança do povo.

Por Vital Furtado

A política é, por essência, a arte de governar para o bem comum. Contudo, no Brasil, ela tem sido vista com desconfiança e até com desprezo, não sem razão. O que deveria ser a casa da democracia, o parlamento, muitas vezes se transforma em palco de negociatas, privilégios e discursos vazios. Enquanto o parlamento não for sério, a política continuará sendo apenas um jogo de interesses particulares.

Não adianta falar em renovação ou em grandes reformas se a base permanece a mesma: parlamentares que enxergam o mandato como oportunidade de enriquecimento ou trampolim pessoal, e não como missão de servir. Um congresso sério não é feito de aventureiros políticos, mas de homens e mulheres comprometidos com a nação, preparados para legislar e com coragem de fiscalizar o Executivo.

O povo, por sua vez, tem parte nessa responsabilidade. Eleger candidatos por conveniência, promessa fácil ou troca de favores alimenta o ciclo de mediocridade. Um eleitor desatento gera um parlamento frágil, e um parlamento frágil gera uma política desacreditada. Se queremos seriedade, precisamos começar pela consciência de quem escolhe os representantes.

Transparência, responsabilidade e coerência deveriam ser marcas obrigatórias de qualquer parlamentar. Porém, o que se vê, muitas vezes, é o oposto: discursos inflamados durante a campanha e práticas vergonhosas durante o mandato. A incoerência é a mãe da descrença política. Um parlamento sério exige políticos que alinhem fala e ação, que cumpram o que prometem e não se escondam atrás de imunidades e manobras.

Enquanto o parlamento estiver tomado por interesses obscuros, a política não passará de teatro encenado para enganar o povo. Mas quando o parlamento se compuser de pessoas íntegras, a política encontrará seu verdadeiro caminho: servir à sociedade com dignidade.

A política só será séria com um parlamento amplamente sério

Notadamente, a seriedade dos atuais políticos é vista da seguinte forma: “Em nome de um suposto “acordo em comum”, para se manter no poder, o adversário político apaga do próprio discurso as críticas do passado e, sem pudor algum, transforma-se de inimigo em aliado, de acusador em advogado fiel daquele mesmo a quem chamava de ladrão e corrupto. Nessa metamorfose vergonhosa, vende a alma e entrega a dignidade apenas para saborear as migalhas do poder. É a prova viva de que, quando os interesses pessoais falam mais alto, a ética e a moralidade não apenas são esquecidas: são jogadas com desprezo na mais fétida das latas de lixo. O que torna esse espetáculo ainda mais repugnante é ver esses excrementos da política ousando falar de honra, como se fossem guardiões de valores que nunca tiveram. É tão absurdo quanto imaginar a dona de um prostíbulo subindo em um púlpito para dar lições de moralidade às suas próprias prostitutas”.

A verdade é dura, mas precisa ser dita: a seriedade da política é o reflexo direto da seriedade do parlamento. E a seriedade do parlamento é, em última instância, o reflexo da seriedade do próprio povo que o elege.

Opinião – Correio de Santa Maria

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