Quinta-feira, 09/04/26

Transportadoras buscam clareza sobre situação em Hormuz após novos alertas do Irã

Transportadoras buscam clareza sobre situação em Hormuz após novos alertas do Irã
Transportadoras buscam clareza sobre situação em Hormuz após novos alertas – Reprodução

FOLHAPRESS

Empresas de navegação disseram nesta quarta-feira (8) que precisam de mais clareza sobre os termos do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã antes de retomar o trânsito pelo estreito de Hormuz, enquanto Teerã afirmou que a via permanece fechada a embarcações sem autorização.

O conflito de seis semanas levou o tráfego pelo estreito -um gargalo por onde passa cerca de 20% das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL)- a quase parar, impulsionando os preços globais de energia.

O Irã afirmou que oferecerá passagem segura em coordenação com suas Forças Armadas, embora sua guarda costeira tenha alertado nesta quarta-feira que qualquer navio que tente navegar sem permissão será “alvejado e destruído”.

“O trânsito no estreito de Hormuz ainda está fechado, e é necessário obter autorização da Marinha do Sepah iraniano”, dizia uma mensagem de rádio recebida por dois armadores e compartilhada com a Reuters.

A primeira embarcação teria atravessado o estreito com autorização do Irã após o cessar-fogo, informou a TV estatal nesta quarta-feira.

A identidade do navio não foi imediatamente confirmada, mas dados da plataforma MarineTraffic mostram dois navios de armadores gregos e dois de armadores chineses passando pela região desde o início do dia.

O Irã já havia firmado acordos de passagem segura com vários países, incluindo Índia e Iraque.

As grandes companhias de navegação, porém, seguem cautelosas.

A dinamarquesa Maersk afirmou que o cessar-fogo pode abrir oportunidades de trânsito, mas ainda não oferece segurança marítima plena.

A alemã Hapag-Lloyd disse precisar verificar se o cessar-fogo se sustenta antes de começar a aceitar pedidos para mercados selecionados.

A normalização dos fluxos pode levar ao menos de seis a oito semanas, disse o CEO da Hapag-Lloyd, Rolf Habben Jansen, em teleconferência com clientes.

Lars Barstad, CEO da companhia de petroleiros Frontline, afirmou que a empresa ainda avalia o impacto do cessar-fogo sobre o transporte marítimo. “Quero ver as letras miúdas”, disse à Reuters.

Jakob Larsen, diretor de segurança da Bimco, alertou que embarcações que deixarem o Golfo sem coordenação prévia com autoridades dos EUA e do Irã enfrentarão risco elevado.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quase 30 incidentes marítimos envolvendo navios comerciais e infraestrutura offshore foram registrados na região, segundo o Joint Maritime Information Center, liderado pela Marinha dos EUA, em nota de 7 de abril.

Cerca de 187 petroleiros carregados, transportando 172 milhões de barris de petróleo bruto e derivados, estavam no Golfo até terça-feira, segundo a consultoria Kpler.

Fontes do setor disseram que o interesse por cargas do Golfo aumentou entre refinarias asiáticas, além da trading Glencore e da francesa TotalEnergies, que não comentaram.

As economias asiáticas são as principais compradoras do petróleo transportado pelo estreito e têm sido especialmente afetadas pela interrupção.

“Esperamos que petroleiros com destino a países alinhados ao Irã sejam os primeiros a retomar o trânsito”, disse Anoop Singh, chefe global de pesquisa de transporte da Oil Brokerage, acrescentando que mais de 50 VLCCs e cerca de 15 navios do tipo Suezmax podem deixar o Golfo em breve.

O Reino Unido afirmou nesta quarta-feira que trabalhará com os setores de transporte marítimo, seguros e energia para tentar restaurar a confiança no uso do estreito de Hormuz.

T LB

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