FOLHAPRESS
Empresas de navegação disseram nesta quarta-feira (8) que precisam de mais clareza sobre os termos do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã antes de retomar o trânsito pelo estreito de Hormuz, enquanto Teerã afirmou que a via permanece fechada a embarcações sem autorização.
O conflito de seis semanas levou o tráfego pelo estreito -um gargalo por onde passa cerca de 20% das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL)- a quase parar, impulsionando os preços globais de energia.
O Irã afirmou que oferecerá passagem segura em coordenação com suas Forças Armadas, embora sua guarda costeira tenha alertado nesta quarta-feira que qualquer navio que tente navegar sem permissão será “alvejado e destruído”.
“O trânsito no estreito de Hormuz ainda está fechado, e é necessário obter autorização da Marinha do Sepah iraniano”, dizia uma mensagem de rádio recebida por dois armadores e compartilhada com a Reuters.
A primeira embarcação teria atravessado o estreito com autorização do Irã após o cessar-fogo, informou a TV estatal nesta quarta-feira.
A identidade do navio não foi imediatamente confirmada, mas dados da plataforma MarineTraffic mostram dois navios de armadores gregos e dois de armadores chineses passando pela região desde o início do dia.
O Irã já havia firmado acordos de passagem segura com vários países, incluindo Índia e Iraque.
As grandes companhias de navegação, porém, seguem cautelosas.
A dinamarquesa Maersk afirmou que o cessar-fogo pode abrir oportunidades de trânsito, mas ainda não oferece segurança marítima plena.
A alemã Hapag-Lloyd disse precisar verificar se o cessar-fogo se sustenta antes de começar a aceitar pedidos para mercados selecionados.
A normalização dos fluxos pode levar ao menos de seis a oito semanas, disse o CEO da Hapag-Lloyd, Rolf Habben Jansen, em teleconferência com clientes.
Lars Barstad, CEO da companhia de petroleiros Frontline, afirmou que a empresa ainda avalia o impacto do cessar-fogo sobre o transporte marítimo. “Quero ver as letras miúdas”, disse à Reuters.
Jakob Larsen, diretor de segurança da Bimco, alertou que embarcações que deixarem o Golfo sem coordenação prévia com autoridades dos EUA e do Irã enfrentarão risco elevado.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quase 30 incidentes marítimos envolvendo navios comerciais e infraestrutura offshore foram registrados na região, segundo o Joint Maritime Information Center, liderado pela Marinha dos EUA, em nota de 7 de abril.
Cerca de 187 petroleiros carregados, transportando 172 milhões de barris de petróleo bruto e derivados, estavam no Golfo até terça-feira, segundo a consultoria Kpler.
Fontes do setor disseram que o interesse por cargas do Golfo aumentou entre refinarias asiáticas, além da trading Glencore e da francesa TotalEnergies, que não comentaram.
As economias asiáticas são as principais compradoras do petróleo transportado pelo estreito e têm sido especialmente afetadas pela interrupção.
“Esperamos que petroleiros com destino a países alinhados ao Irã sejam os primeiros a retomar o trânsito”, disse Anoop Singh, chefe global de pesquisa de transporte da Oil Brokerage, acrescentando que mais de 50 VLCCs e cerca de 15 navios do tipo Suezmax podem deixar o Golfo em breve.
O Reino Unido afirmou nesta quarta-feira que trabalhará com os setores de transporte marítimo, seguros e energia para tentar restaurar a confiança no uso do estreito de Hormuz.








