Sexta-feira, 10/04/26

UnB desenvolve tecnologia para reduzir tremores da doença de Parkinson

UnB desenvolve tecnologia para reduzir tremores da doença de Parkinson
Tremores do Parkinson podem ser reduzidos com tecnologia inovadora – Reprodução

Pesquisa desenvolve dispositivo para tratar tremores de Parkinson

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), desenvolveram uma nova tecnologia vestível para reduzir os tremores causados pela doença de Parkinson. A iniciativa, divulgada no contexto do Dia Mundial do Parkinson, celebrado em 11 de abril, busca devolver autonomia, autoestima e qualidade de vida aos pacientes, cujas tarefas simples do dia a dia são dificultadas pela condição.

A pesquisa é coordenada pela professora Marcela Rodrigues Machado, do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Tecnologia da UnB, que lidera uma equipe multidisciplinar.

“A ideia surgiu da necessidade de oferecer mais autonomia e qualidade de vida às pessoas com Parkinson, por meio de uma solução tecnológica que acompanhe a evolução dos tremores ao longo do tempo”, destaca a coordenadora do projeto.

Como funciona o dispositivo inteligente

A tecnologia é baseada em estruturas chamadas metamateriais inteligentes, projetados para responder a estímulos como vibrações e movimentos. O dispositivo atua nas frequências específicas dos tremores, funcionando como um filtro que reduz a intensidade dos movimentos involuntários sem interferir nos voluntários.

O sistema conta com sensores que registram os padrões de movimento do paciente, gerando dados que podem apoiar decisões clínicas. Um dos diferenciais é o uso de materiais piezoelétricos, que transformam movimento em energia elétrica, permitindo que o próprio dispositivo aproveite a energia gerada pelos tremores para alimentar seus sistemas internos.

Diferencial em relação às soluções atuais

As órteses tradicionais geralmente utilizam estruturas rígidas ou mecanismos passivos que limitam o movimento e precisam ser substituídas conforme a progressão da doença. A proposta do projeto é oferecer uma solução mais leve, adaptável e programável.

Outro avanço importante é a possibilidade de monitoramento contínuo, algo que ainda não está amplamente disponível nas soluções existentes no mercado. Os testes em laboratório já demonstram resultados promissores, com redução significativa na intensidade das vibrações, inclusive em faixas de baixa frequência.

Impacto do projeto e apoio da FAPDF

Se chegar ao mercado, a tecnologia pode representar um avanço significativo no cuidado com pacientes com Parkinson. “Nosso principal objetivo é devolver autonomia às pessoas, permitindo que elas realizem tarefas simples do dia a dia com mais segurança e confiança”, destaca a coordenadora. O projeto já conta com pedidos de patente.

A iniciativa também se destaca pela formação de recursos humanos qualificados, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação. Com investimento de R$ 1 milhão da FAPDF, por meio da chamada pública BIO Learning (2023), o projeto busca avançar no Nível de Maturidade Tecnológica (TRL). Atualmente, a solução encontra-se no nível TRL 4, de validação em laboratório, e tem como objetivo avançar para os níveis 5 e 6, que envolvem testes mais avançados.

“O apoio da FAPDF foi essencial para que o projeto avançasse do campo teórico para uma aplicação mais próxima da realidade. O fomento permitiu investir em infraestrutura, desenvolver protótipos e formar uma equipe qualificada para transformar essa pesquisa em uma solução concreta”, conclui a coordenadora.

*Com informações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)

T LB

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