Quinta-feira, 16/04/26

Preço do petróleo sobe com ameaças do Irã de bloquear mar Vermelho em foco

Preço do petróleo sobe com ameaças do Irã de bloquear mar Vermelho em foco
Preço do petróleo sobe com ameaças do Irã de bloquear – Reprodução

FOLHAPRESS

O preço do petróleo avança nesta quarta-feira (15), após enfrentar fortes variações nos últimos dias. O barril Brent, referência mundial, chegou a saltar 2,18%, cotado a US$ 96,86 às 7h30 (horário de Brasília), mas, às 14h20, o preço subia em menor ritmo, a US$ 95,14, alta de 0,42%.

Na segunda-feira (13), o contrato de junho chegou a superar US$ 100, depois que EUA e Irã não chegaram a um acordo de paz. Porém as conversas que se seguiram no começo da semana levaram o preço a se estabilizar abaixo dos três dígitos.

Mesmo as ameaças do regime iraniano de bloquear também o trânsito marítimo pelo mar Vermelho não tiveram um impacto significativo no petróleo. O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 91,62, avanço de 0,49%. às 14h20.

“As poderosas forças armadas do Irã não permitirão que quaisquer exportações ou importações continuem no golfo Pérsico, no mar de Omã e no mar Vermelho”, afirmou o major-general Ali Abdollahi, líder do comando militar conjunto que supervisiona o exército e a Guarda Revolucionária do Irã, nesta quarta.

Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista à emissora Fox Business que a guerra está “próxima do fim”, repetindo o que vem falando desde a metade de março. Na terça-feira (14), ele declarou que as conversas com o Irã no Paquistão podem ser retomadas esta semana, depois que Israel e Líbano concordaram em realizar negociações diretas após uma reunião entre ambos em Washington.

Em conversa com o New York Post, Trump disse ao jornalista desse veículo em Islamabad que “deveria ficar lá, porque algo pode acontecer nos próximos dois dias”.

Dois altos funcionários paquistaneses disseram à AFP que Islamabad busca fazer com que Washington e Teerã retomem os diálogos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também pediu na terça-feira a retomada de “negociações sérias” e afirmou que “não há uma solução militar para a crise”.

Em outra frente da guerra, Israel e Líbano concordaram em iniciar negociações diretas depois de uma reunião de mais de duas horas em Washington.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA assinalou que as discussões foram “produtivas” e acrescentou: “Todas as partes concordaram em iniciar negociações diretas em um momento e local mutuamente acordados.”

“Hoje descobrimos que estamos do mesmo lado”, declarou o embaixador israelense em Washington, Yechiel Leiter, ao indicar que ambos os países estão “unidos” em sua vontade “de libertar o Líbano” do grupo terrorista Hezbollah.

A embaixadora libanesa Nada Hamadeh Moawad classificou a reunião de “construtiva”, mas também disse que havia pedido um cessar-fogo e insistido na “plena soberania” do Líbano.

O Líbano acabou sendo vítima do conflito no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah, aliado de Teerã, atacou Israel em resposta aos bombardeios israelenses e norte-americanos contra o Irã que desencadearam o conflito em 28 de fevereiro.

As conversas desta terça-feira foram rejeitadas pelo Hezbollah, que anunciou o lançamento de foguetes contra mais de uma dezena de localidades do norte de Israel justo quando começava a reunião.

Atualmente, as forças de Israel ocupam partes do sul do Líbano e o governo israelense tem resistido a considerar qualquer cessar-fogo até que o Hezbollah seja desmantelado.

Ao mesmo tempo, Trump também impôs o bloqueio dos EUA à passagem de navios-petroleiros que tenham o Irã como destino final pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, e cujo tráfego é impedido pelos iranianos desde o início da guerra em 28 de fevereiro.
Nessa quarta, mais embarcações tiveram de retornar ao Irã após tentarem cruzar o estreito, de acordo com sites de monitoramento do tráfego marítimo.

Segundo analistas, Trump está tentando privar o Irã de recursos financeiros, mas também empurrar a China —o maior comprador de petróleo iraniano— a pressionar Teerã para reabrir o estreito de Hormuz.
Porém, o presidente norte-americano afirmou nesta quarta que os chineses estão felizes por sua medida. “A China está muito feliz por eu estar abrindo permanentemente o estreito de Hormuz. Estou fazendo isso por eles também —e pelo mundo. Essa situação não voltará a se repetir. Eles concordaram em não enviar armas para o Irã”, disse em post no Truth Social.

A passagem por Hormuz estava normal até o início da guerra e era de 140 navios por dia. O regime iraniano impediu o tráfego após os bombardeios de norte-americanos e israelenses como uma medida retaliatória. Depois disso, empresas de monitoramento dizem que menos de 200 embarcações passaram pelo estreito em 45 dias de conflito.

BOLSAS SOBEM NOS EUA E CAEM NA EUROPA


As principais Bolsas do mundo tiveram comportamentos diferentes nesta quarta. Nos EUA, os três índices registravam alta, com a Nasdaq sendo destaque com 0,92%. A S&P 500 subia 0,30% e a Dow Jones recuava 0,34%.

Na Europa, a maioria das Bolsas caiu. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, recuou 0,74%, acompanhado das Bolsas de Londres (-0,47%), Paris (-0,64%), Madri (-0,55%) e Milão (-0,04%). A exceção foi Frankfurt, que avançou 0,18%.

Na Ásia, o índice CSI300, que reúne as principais companhias de Xangai e Shenzhen, fechou em queda de 0,34%, mas o SSEC, de Xangai, teve uma oscilação positiva de 0,01%. A alta foi repetida em Tóquio (0,44%), Hong Kong (0,29%), Seul (2,07%) e Taiwan (1,17%).


T LB

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