Sexta-feira, 17/04/26

Senado realiza sessão especial em homenagem ao legado de Chico Anysio

Senado aprova sessão especial em homenagem ao legado de Chico Anysio
Senado aprova sessão especial em homenagem ao legado de Chico – Reprodução

O Senado Federal prestou homenagem ao legado de Chico Anysio (1931-2012) em uma sessão especial realizada nesta quinta-feira (16), coincidindo com o Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia, que marca o aniversário do artista, em 12 de abril.

O senador Eduardo Girão (NOVO-CE), autor do requerimento, presidiu o evento e elogiou a inteligência e sensibilidade do humorista, que criou 208 personagens ao longo de mais de seis décadas de carreira. Cada figura representava um retrato crítico do cotidiano brasileiro. Girão leu uma mensagem do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que enfatizou o olhar profundo de Chico sobre o ser humano, permitindo que o país se visse na tela por meio de personagens inesquecíveis.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) descreveu Chico Anysio como um “intérprete do Brasil”, capaz de fazer o país rir e se enxergar, inclusive com críticas elegantes à classe política. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou como o humor de Chico a confortava em momentos difíceis e representava a diversidade brasileira, desafiando a sociedade a refletir sobre o tema.

Malga di Paula, viúva de Chico, ressaltou os múltiplos aspectos da carreira do homenageado, incluindo seus esforços na conscientização sobre a depressão e o combate ao tabagismo. Ela compartilhou uma frase pessoal: “Que bom que a gente se tem.”

Zélia Cardoso de Mello, ex-ministra da Fazenda e ex-esposa do humorista, participou por videoconferência e o definiu como um “receptor da humanidade”, inspirado no povo brasileiro. Ela enfatizou que a maior homenagem é preservar o olhar inconformado de Chico diante da realidade, dando voz aos esquecidos por meio de seus personagens.

A sessão também abordou o combate à psicofobia. Girão lembrou que o aniversário de Chico inspirou a criação do neologismo para o preconceito contra transtornos mentais. Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), exibiu trechos de uma entrevista do humorista sobre o tratamento da depressão e criticou as deficiências no atendimento psiquiátrico público, como a desassistência e a ausência de medicamentos na Farmácia Popular.

Francisco Cardoso, conselheiro federal de medicina de São Paulo, descreveu a psicofobia como um preconceito invisível que impede as pessoas de buscar ajuda, afetando especialmente adolescentes. Ele defendeu a liberdade de expressão no humor, sem repressão ideológica, e elogiou o legado artístico de Chico.

Outros participantes, como a mentora Fernanda Bernstein, o jornalista Ricardo Feltrin, Edgar Lagus da B’nai B’rith, o ator Nelson Freitas e o humorista Márvio Lúcio, enalteceram a coragem de Chico ao enfrentar a depressão, sua visão ácida sobre o cotidiano e a política, e sua contribuição para a narrativa do país.

T LB

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