Drones ucranianos atacaram diversas instalações petrolíferas da Rússia durante a noite desta sexta (17), incluindo duas refinarias na região de Samara, um depósito de petróleo na Crimeia e um porto no mar Báltico que exporta derivados de petróleo, disseram governadores locais russos e um militar do Exército ucraniano neste sábado (18).
As tropas de Kiev intensificaram nas últimas semanas os ataques a depósitos e refinarias de petróleo russos -fontes cruciais de receita para o orçamento de guerra de Moscou- por vezes visando locais a milhares de quilômetros das fronteiras da Ucrânia.
Na região de Leningrado, que circunda São Petersburgo e faz fronteira com a Finlândia, o governador Alexander Drozdenko afirmou que um incêndio foi extinto no porto de Visotsk, que abriga um terminal operado pela Lukoil responsável por exportações de óleo combustível, nafta, diesel e óleo diesel.
Em um comunicado no aplicativo de mensagens Telegram, reconhecendo o ataque ao porto, o comandante das forças de drones da Ucrânia, Robert Brovdi, disse que as tropas ucranianas também atacaram refinarias de petróleo nas cidades de Novokuibishevsk e Sizran, na região de Samara. Ambos os locais foram atingidos repetidamente durante a guerra. “Vamos tornar o petróleo russo grande novamente”, escreveu ele sarcasticamente, em referência ao slogan usado por Trump para falar dos EUA.
Brovdi também criticou a decisão americnao de renovar uma isenção que permite aos países comprar petróleo russo sancionado, algo que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, havia dito durante a semana que não ocorreria.
Viacheslav Fedorishchev, governador da região de Samara, afirmou que alvos industriais foram atacados, sem especificar quais instalações.
Na península da Crimeia, ocupada pela Rússia, o governador de Sebastopol apoiado por Moscou disse que 22 drones foram abatidos, com incidentes de danos por toda a cidade, incluindo um incêndio em um tanque de combustível. Brovdi, da Ucrânia, disse que Kiev havia atacado um depósito de petróleo.
O Serviço de Segurança ucraniano afirmou também ter atacado dois navios de desembarque russos e um navio de guerra baseado na península.
Segundo Brovdi, uma série de ataques recentes à logística petrolífera russa em Primorsk, Ust-Luga, Sheskharis e Tuapse reduziu o total diário de embarques de petróleo em cerca de 880 mil barris. A agência Reuters não conseguiu verificar de forma independente esse número.
Em outro incidente, as autoridades da região sul de Krasnodar informaram neste sábado que um incêndio em um depósito de petróleo em Tikhoretsk e outro em um terminal petrolífero no porto de Tuapse, no mar Negro, que estavam em chamas desde quinta-feira, foram extintos. Ambos os incêndios, segundo as autoridades, foram causados por ataques de drones ucranianos.
Antes desses ataques, entre quarta e quinta-feira, as forças de Vladimir Putin fizeram a maior operação aérea do ano contra território da Ucrânia. Os focos da ação, uma das mais intensas de todo o conflito, foram Kiev, Dnipro e Odessa, mas 26 localidades em todo o país foram atingidas. Os russos empregaram 659 drones, dos quais os ucranianos disseram ter abatido 636, e 44 mísseis, 31 derrubados.
O maior número de mortos foi registrado em Odessa, que é o principal porto do país. Ao menos nove pessoas morreram quando mísseis atingiram prédios residenciais. Na capital, ao menos quatro pessoas morreram, inclusive uma criança de 12 anos. Em todo o país, ao menos cem ficaram feridos.
Kiev tem direcionado suas ações contra a infraestrutura energética russa para tentar remover a vantagem que a crise no Oriente Médio deu a Putin.
Desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro, o aumento no preço do petróleo e do gás favoreceu a Rússia, grande produtora que viu sanções contra suas vendas temporariamente removidas na tentativa de estabilizar o mercado.
O relaxamento das sanções pelos EUA expirou na última semana e, nesta sexta, foi retomado. O governo Trump renovou a isenção que permite a países comprar petróleo russo sancionado no mar até 16 de maio. A medida faz parte do esforço para controlar os preços globais de energia, que dispararam durante a guerra no Oriente Médio. Ela veio após países da Ásia, sofrendo com o choque energético global, pressionarem Washington para permitir que suprimentos alternativos chegassem aos mercados.
Como a Folha mostrou, o foco global no Oriente Médio foi acompanhado por um aumento na violência na guerra europeia. As semanas posteriores ao início do conflito no Irã registraram o maior número de ataques e batalhas na Ucrânia e na Rússia. Ambos os rivais buscam vender vitórias pontuais no campo de batalha.








