Segunda-feira, 20/04/26

Justiça impede delegado de atuar em caso contra advogada presa por ele

Justiça impede delegado de atuar em caso contra advogada presa por ele
Justiça impede delegado de atuar em caso contra advogada presa – Reprodução

Liminar

A Justiça de Goiás determinou que um delegado da Polícia Civil não poderá atuar em…

Delegado que prendeu advogada em Cocalzinho se pronuncia: ‘descontrolada’ (Foto: Reprodução)

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A Justiça de Goiás determinou que um delegado da Polícia Civil não poderá atuar em procedimentos nos quais figure como suposta vítima em casos envolvendo uma advogada presa por ele. A decisão liminar foi concedida na madrugada deste domingo (19), durante plantão criminal.

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A medida foi proferida pelo juiz Samuel João Martins, que atendeu parcialmente a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás. Com isso, o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos está impedido de lavrar autos, registrar ocorrências ou deliberar sobre prisões em flagrante relacionadas a fatos em que seja parte interessada.

Decisão aponta risco à imparcialidade

Na decisão, o magistrado considerou haver risco à imparcialidade na condução do caso e possível conflito de interesses. Também destacou que a atuação do delegado em procedimentos nos quais figura como vítima é incompatível com os princípios do Estado de Direito.

A OAB-GO ainda alegou que a advogada Áricka Rosália Alves Cunha estaria sendo monitorada de forma ostensiva, inclusive com o uso de drones em sua residência e escritório, sem autorização judicial. O juiz apontou indícios de possível violação à privacidade.

Por outro lado, o pedido de salvo-conduto amplo foi negado. O magistrado ressaltou que a liberdade de expressão não impede eventual responsabilização penal em caso de excessos.

Caso começou com prisão dentro de escritório

O caso ganhou repercussão após a advogada ter sido presa no dia 16 de abril, dentro do próprio escritório, em Cocalzinho de Goiás, após criticar o arquivamento de um boletim de ocorrência. A abordagem foi feita pelo próprio delegado e registrada em vídeo, o que ampliou a repercussão nas redes sociais e no meio jurídico.

Segundo relatos já divulgados, a prisão ocorreu sob acusação de difamação contra o delegado. A defesa da advogada e a OAB-GO classificaram a medida como arbitrária e apontaram possível violação das prerrogativas da advocacia.

Repercussão e investigação

Após a divulgação do caso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás passou a acompanhar a situação e ingressou com medidas judiciais. O presidente da entidade, Rafael Lara Martins, afirmou que a decisão liminar reforça garantias fundamentais, como o exercício da advocacia e a liberdade de expressão.

Já o delegado envolvido se manifestou publicamente, defendendo a legalidade da atuação e alegando que a advogada teria adotado comportamento inadequado durante os fatos.

A Polícia Civil de Goiás informou que instaurou procedimento interno para apurar as circunstâncias da ocorrência.


T LB

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