Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
*Por Caetano Mota e João Pedro Nogueira
Brasília passou recentemente por período de chuvas intensas. Mas, quando a temporada de estiagem começa, quem mora na capital sente falta do clima mais úmido.
Durante o período de seca (principalmente entre agosto e setembro), moradores do Distrito Federal podem se deparar com um fenômeno curioso: chuvas rápidas, localizadas e, algumas vezes, intensas pela região. Popularmente, esse fenômeno é conhecido como “chuva do caju”.
Especialista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Laísa Faria destaca que, entre os principais fatores para essa chuva, estão o aquecimento intenso da superfície , a presença da umidade em baixos níveis da atmosfera e a própria topografia da região”, afirma.
No Cerrado
A chuva do caju é comum no Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal, e costuma ocorrer no fim do período seco, quando o clima começa a transicionar para a estação chuvosa.
O professor de geografia Flávio Bueno explica que essa chuva comum no Cerrado, especialmente no Planalto Central. Ela marca o fim do desespero da umidade em 10%”, disse.
Embora seja frequentemente no Centro-Oeste, o fenômeno também ocorre em outras regiões do país, ainda que em períodos diferentes. O geógrafo explica que o fenômeno é ainda mais emblemático na Caatinga, principalmente no Sertão nordestino.
“Em ambos os biomas, a lógica é a mesma: o despertar da vegetação após meses de estiagem. Em Brasília, podemos ter mais de 100 dias sem chuva, por isso a chuva do caju é sempre vista culturalmente com alegria”.
Nome popular
Apesar de ser amplamente conhecida como chuva do caju, o termo “chuva da manga” é popular dependendo da região. A expressão vem do fato de estar ligada à frutificação do caju e da manga no final do clima seco, geralmente entre agosto e setembro.
Devido a quantidade de mudanças no clima da região, a distribuição das chuvas se torna irregular. Dentre esses fatores, as pancadas isoladas, associadas à chuva do caju, tendem a ocorrer dentro dessa irregularidade, sem indícios do começo da estação chuvosa.
Segundo o Inmet, a chuva do caju tem apresentado maior variabilidade nos últimos anos. Estudos recentes indicam que mudanças climáticas afetam diretamente o início do período chuvoso e a disponibilidade de umidade na atmosfera, o que pode tornar essas chuvas de transição menos previsíveis.
Em Brasília, os períodos de seca se estendem a longo do ano, enquanto as épocas de chuva ocorrem de forma concentrada e intensa de curta duração. Esse comportamento é típico do local, o que reforça a instabilidade contínua entre a transição do tempo seco para o chuvoso.
Já a urbanização pode favorecer a formação de ilhas do calor, aumentando a convecção local e favorecendo a ocorrência de chuvas isoladas.
*Supervisão de Luiz Claudio Ferreira








